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50% dos investidores do BR estão no ‘tigrinho’ do mercado – 28/03/2026 – Painel S.A.

by Silas Câmara

Capixaba que adora conversar, Rafael Furlanetti, 39, fala enquanto rabisca palavras-chave do seu raciocínio em folha de papel. Sócio da XP Inc., ele foi um dos primeiros a fazer lives no Brasil na época da pandemia da Covid-19. Chamava economistas para trocar ideias por horas.

Presidente da Ancord, dialoga e rascunha sobre conjuntura, o crescimento da profissão de assessor de investimentos e o desafio de transformar apostadores em investidores. Enquanto faz tudo isso, também comanda um programa de entrevistas na CNN.

O novo estatuto da Ancord mudou a relação de forças na entidade? Não. A Ancord é encarada pela CVM, pelo Banco Central, pelos reguladores, pelo Ministério da Fazenda como um player para conversar com o mercado de capitais. Durante muito tempo, sabe quem ocupava esse espaço? A B3. A Ancord é uma instituição de 50 anos e se moldou ao longo do tempo. No início, era majoritariamente formada por corretoras independentes, não atreladas a bancos. Hoje é um mix grande, mais democrático, onde você tem os grandes bancos, os maiores players do mercado.

A B3 tem uma posição quase de monopólio em infraestrutura. O que isso representa para a Ancord?  A Ancord se abriu para novas infraestruturas de mercado se filiarem. Então, começou o movimento da CSD, que é uma nova bolsa, da A5X, que é uma nova bolsa… Hoje, em vez de cada uma ter uma autorregulação, é possível que isso seja feito na Ancord. Foi quando começou esse movimento das novas bolsas e infraestruturas se filiarem à Ancord para poderem usá-la como um centro de diálogo com os reguladores. O último movimento, inclusive, foi a B3 reconhecer isso e se filiar à Ancord.

A profissão de assessor de investimento cresceu mais de 500% nos últimos anos. Como a Ancord equilibra a democratização do acesso a essa profissão com a qualidade da informação oferecida?  A Selic a 15% deixa o investidor preguiçoso. É mais fácil. Você deixa o teu dinheiro em um produto bancário porque é muito bom. O bom assessor de investimento vai oferecer o bom investimento. Todas as corretoras filiadas à Ancord fazem um grande esforço para manter o perfil de risco do cliente alocado naquilo que ele pode comprar. Você hoje tem freios e contrapesos. Crescimento muitas vezes não anda com a qualidade, mas tem que andar nesse caso. Então, como a gente faz? Muito curso, muita palestra, muito controle para poder ter esses freios e contrapesos.

O sr. já disse que o Brasil gasta entre R$ 18 bi e R$ 21 bi por mês em apostas, o que chegaria a cerca de R$ 250 bi por ano, um número que as bets contestam bastante… O número de alimentos [consumidos] no Brasil chega a R$ 1,2 trilhão. Então, podemos dizer que aposta-se quase o equivalente a um quarto do que consome-se em alimentos no país.

A indústria de apostas diz que 95% desse total é sacado pelos apostadores. Qual é o percentual dos ganhadores em apostas que pega esse dinheiro e faz outra coisa? Diria que 100% apostam de novo. Se falar que a pessoa ganhou, parou de jogar e foi comprar uma renda fixa isenta para financiar um porto no Brasil, tudo bem. Mas não vai. Esse dinheiro retroalimenta mais aposta.

É possível alguma estratégia para converter esses apostadores em investidores?  É um trabalho educacional. Eu vi pesquisa sobre essa ansiedade da nova geração em ter ganhos rápidos. Ela olha a aposta como maneira para isso. Um dado é que 50% do volume das pessoas físicas [investidoras] no Brasil estão no mercado não regulado, que é o Forex. É o tigrinho do mercado de capitais. Isso é investir em moeda russa, por exemplo. As pessoas abrem contas em empresas que não existem e perdem toda a sua economia. Por quê? Infelizmente, uma parte quer o ganho fácil e vai para o Forex, vai para o tigrinho. E isso é do ser humano. A gente tem de ficar ali ensinando, falando: ‘Olha, tem que investir a longo prazo’. Mas é um trabalho erudito, precisa da ajuda de todo mundo.


Raio-X

Rafael Guerino Furlanetti, 39, nascido e criado em São Gabriel da Palha-ES, é formado em administração pela Fundação Getúlio Vargas. Iniciou a carreira no Bradesco BBI e construiu sua trajetória na XP Inc., onde está há 15 anos e é sócio, com atuação na área institucional. Desde 2023, representa o Banco XP na diretoria da Febraban.

É presidente da Ancord no biênio 2025–2027, após ter sido vice-presidente da chapa anterior (2022–2025), com foco no fortalecimento institucional do mercado de capitais.


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