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Renúncias e migrações turbinam centro-direita nos estados – 05/04/2026 – Política

by Silas Câmara

O encerramento da janela partidária e do prazo para renúncia de prefeitos e governadores que vão concorrer a outros cargos nas eleições de outubro mudou a correlação de forças entre os partidos, turbinando legendas de direita e centro-direita.

A movimentação dos pré-candidatos redefiniu o tabuleiro eleitoral nos estados, com impacto na formação de palanques de Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) para as eleições presidenciais.

Levantamento da Folha aponta que 11 governadores e 20 prefeitos deixaram seus cargos até este sábado (4) para entrar na corrida pela Presidência, governos e Senado.

O PSD, que em 2022 elegeu apenas Ratinho Junior (Paraná) e Fábio Mitidieri (Sergipe), saltou para 6 governadores com as novas adesões, tornando-se o partido com maior número de governadores.

Além de atrair os governadores de Pernambuco, Rio Grande do Sul e Rondônia, a legenda assumiu Minas Gerais com a renúncia de Romeu Zema (Novo) e a ascensão de Mateus Simões. Segundo maior colégio eleitoral do país, o estado é considerado estratégico para o pleito nacional.

Mesmo com presença forte nos estados, o PSD está longe de alcançar uma unidade em torno de Ronaldo Caiado. Enquanto governadores do Nordeste buscam pontes com Lula, outros se inclinam a endossar as candidaturas de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema.

A divisão se replica em outros partidos da centro-direita que avançaram nos estados após as renúncias. O PP saltou de 2 para 4 governadores com a ascensão de Lucas Ribeiro, na Paraíba, e Celina Leão, no Distrito Federal, após a renúncia dos titulares.

Na Paraíba, o partido é próximo a Lula e busca o apoio formal do PT para a sucessão estadual. No Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Acre, a legenda caminha para fechar alianças com o PL.

O MDB também deu um salto de 2 para 4 governadores com as posses de Daniel Vilela em Goiás e de Ricardo Ferraço no Espírito Santo. A legenda ainda se fortaleceu em São Paulo com a filiação do vice-governador Felício Ramuth, que deixou o PSD.

O PT permanece com quatro governadores após a decisão de Fátima Bezerra de não renunciar ao Governo do Rio Grande do Norte. Já o PSB deixa de comandar o Espírito Santo e a Paraíba, cujos governadores deixaram o cargo para concorrer ao Senado.

Entre os 27 atuais governadores, 18 vão concorrer à reeleição, incluindo 10 que eram vices e acabaram de assumir o cargo em definitivo. O cenário aponta para um protagonismo dos vices que assumiram como governadores —todos eles vão concorrer à sucessão.

Em dois estados, governador e vice deixaram os cargos. Foi o caso do Amazonas, onde o governador Wilson Lima (União Brasil) e o vice Tadeu de Souza (PP) renunciaram por volta das 23h deste sábado (4), em um mvimento que surpreendeu a classe política local.

Lima será candidato ao Senado e Souza vai concorrer a deputado federal. O governo será assumido interinamente pelo presidente da Assembleia Legislativa, Roberto Cidade (União Brasil) .

O Rio de Janeiro enfrenta um cenário de crise institucional e é governado interinamente pelo desembargador Ricardo Couto. Cláudio Castro (PL) renunciou para concorrer ao Senado, mas foi cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O vice Thiago Tampolha já havia renunciado em 2025.

A correlação de forças também mudou nos municípios. Ao menos 20 prefeitos renunciaram para concorrer ao governo, ao cargo de vice ou ao Senado.

O União Brasil segue como o partido com mais prefeituras das capitais. A legenda chegou a seis prefeitos com o interino Pedro DaLua, vereador que assumiu a Prefeitura de Macapá após Dr. Furlan (PSD) ser afastado em decisão do Supremo Tribunal Federal, em março.

Mesmo fora do cargo, Furlan renunciou ao mandato para concorrer ao Governo do Amapá contra o governador Clécio Luís, que foi eleito pelo Solidariedade e migrou para o União Brasil.

O Podemos foi o partido que mais cresceu e chegou a quatro prefeituras de capitais, com a filiação de Topázio Neto, prefeito de Florianópolis que deixou o PSD após rusgas com o partido, e com a ascensão de Rodrigo Cunha, que assumiu a Prefeitura de Maceió com a renúncia do prefeito JHC.

Por outro lado, o PL foi quem mais perdeu espaço. A legenda tinha cinco prefeitos, mas deixa de comandar três capitais. JHC, de Maceió, e Tião Bocalom, de Rio Branco, migraram para o PSDB após conflitos internos no partido.

Bocalom seguirá alinhado ao bolsonarismo e concorre ao governo. JHC, por sua vez, afastou-se do deputado federal Arthur Lira (PP), pré-candidato a senador. O ex-prefeito não definiu se disputa governo ou Senado e faz mistério sobre suas alianças.

Em Aracaju, a prefeita Emília Corrêa não disputará a eleição em outubro, mas migrou com todo o seu grupo para o Republicanos.

O PC do B volta a comandar uma capital, após um hiato de seis anos, com a posse de Victor Marques, vice-prefeito do Recife que assumiu o cargo em definitivo com a renúncia de João Campos (PSB).

A dança das cadeiras também fez com que o número de mulheres no comando de prefeituras de capitais subisse de 2 para 4. Cris Samorini (PP) passou a governar Vitória com a renúncia do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), que vai concorrer ao Governo do Espírito Santo.

Em São Luís, Esmênia Miranda (PSD) assumiu a prefeitura com a renúncia de Eduardo Braide (PSD) para disputar o Governo do Maranhão. Ela será a primeira mulher negra a assumir a Prefeitura de São Luís como titular —no final dos anos 1970, a vereadora Lia Varella foi prefeita interina.

Outros nove prefeitos de cidades do interior renunciaram para concorrer a cargos majoritários. Allysson Bezerra (União Brasil) deixou a Prefeitura de Mossoró, segunda maior cidade do estado, para concorrer ao Governo do Rio Grande do Norte.

Marília Campos (PT), prefeita de Contagem, deixou o cargo para se candidatar a senadora em Minas. A candidatura segue a estratégia do partido de tentar ampliar sua bancada no Senado.

Os prefeitos que assumiram com as renúncias dos titulares vão comandar as cidades até o fim de 2028.

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