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Herbert Richers Jr. vira Lúcifer e Caim em peça de Byron – 23/04/2026 – Teatro

by Silas Câmara


São Paulo


“Caim, o Mistério”, peça que estreia nesta sexta-feira (24) na Casa Slamb, na capital paulista, deve preservar parte da polêmica que suscitou quando Lord Byron (1788-1824) primeiro a ofereceu aos olhos do público, no começo do século 19.

Montada pelo ator Herbert Richers Jr., que convidou Denis Victorazo para o dirigir, o espetáculo subverte Caim e Lúcifer, figuras bíblicas malditas, a exemplos de virtude, em rebelião contra um Deus tirano e seus seguidores acovardados, Abel, Eva, Adão e companhia.



Herbert Richers Jr. no monólogo ‘Caim, o Mistério’


Divulgação Caim o Mistério

Na passagem contada pela Bíblia, os primeiros humanos, Eva e Adão, geram Caim e Abel. Os dois filhos fazem oferendas a Deus —mas somente a do segundo, que é pastor, é aceita. Caim, agricultor, se revolta, é repreendido e assassina seu irmão em ira, sendo então sentenciado a vagar eternamente pelo mundo, carregando a marca de seu crime.

Em seu trabalho, Byron embaralha as coisas. Repreende a punição dos humanos originais por morder a maçã, e de Caim por questionar a decisão divina. “Seu discurso central é contra essa ideia de que o conhecimento é o fruto proibido, a ciência é o pecado e desejar a verdade é cair em tentação”, diz o ator.

O mistério do título não está ali para prometer suspense. É esse o nome dado a um certo tipo de peça encenado pela Igreja Católica durante os tempos medievais, comumente ligadas a contos do Velho Testamento.

A imagem é um retrato em preto e branco de um jovem homem, que está de perfil. Ele tem cabelo escuro e usa um casaco escuro. O fundo apresenta uma paisagem com árvores e nuvens, em um estilo artístico que sugere um ambiente natural. O retrato é oval e o jovem parece estar pensativo, olhando para o lado.

O poeta Lord Byron em gravura de 1804


Reprodução/Wikimedia Commons

Para a montagem, a narrativa foi adaptada às demandas materiais —é caro produzir peças— e alcança o público como monólogo. “O cerne da peça é o diálogo entre Lúcifer e Caim. Tinha a ideia de montar isso com dois atores, mas ficou difícil. Resolvi projetar esse Lúcifer dentro do Caim para conseguir fazer”, diz o ator. Ele interpreta sozinho as conversas em que o anjo caído alimenta o fogo de revolta crescente no peito do fratricida.

Outra mudança está na linguagem, que dispensa os decassílabos byronianos. “O texto está mais coloquial. Quis pegar o cerne do que o Byron diz e pensar em como isso poderia ser dito hoje em dia”, afirma.

Victorazo, o diretor, acredita que ainda há força no questionamento da peça a certa forma de pensar a fé. “No país em que vivemos hoje, onde todo mundo usa a religião como escudo para qualquer coisa, é interessante ter um texto em que o personagem é o Caim, que questiona tudo”, afirma. “Quem for assistir porque leu o título e pensou que é uma peça bíblica, talvez não goste.”

Caim, o Mistério

Dir.: Denis Victorazo. Com: Herbert Richers Jr. Casa Slamb – r. Mateus Grou, 106, Pinheiros, região oeste. Estreia: sáb. (25). Sáb., às 20h. Dom., às 18h. Até 17/5. Ingr.: R$ 60, em sympla.com.br

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