Uma das missões mais importantes para o futuro da exploração espacial está caminhando bem e segue em linha para um lançamento até o final de 2028, informou a Nasa. Trata-se da SR-1 Freedom, primeira nave com propulsão nuclear para voo interplanetário, com destino a Marte.
Anunciada em março deste ano, a missão foi a limonada possível a partir dos limões azedos encontrados por Jared Isaacman, administrador da agência espacial civil americana. O cancelamento da estação orbital lunar tripulada Gateway, que veio acompanhado da decisão de priorizar um retorno à superfície da Lua, deixou vários módulos semiprontos (vários deles com problemas talvez irremediáveis de corrosão) sem função.
Um dos que estavam em bom estado era o PPE (Elemento de Propulsão e Potência) e ele serviu de base para a nova nave, que contará pela primeira vez com um reator de fissão nuclear desenvolvido para operação no espaço interplanetário.
A ideia é que o reator alimente com eletricidade um sistema de propulsão iônica, que funciona acelerando moléculas de um gás a altíssimas velocidades, com eficiência que em muito supera a possível pela combustão química. Propulsores iônicos já são usados rotineiramente em missões espaciais, mas normalmente limitados à energia fornecida por painéis solares. Com um reator nuclear, o potencial da tecnologia se amplia consideravelmente.
O teste será importante por dois motivos: primeiro, porque acelera o desenvolvimento de reatores de fissão que serão necessários à base lunar que os americanos querem estabelecer no polo sul; segundo, porque sabemos que uma viagem tripulada a Marte, com tecnologias convencionais, levaria tempo demais e teria menos flexibilidade em casos de emergência.
Não por acaso, o desenvolvimento do SR-1 está acontecendo sob a autoridade de um Escritório do Reator Espacial dentro da Nasa, que também é responsável pelo LR-1 (o primeiro reator lunar) e pelo desenvolvimento de futuras tecnologias de propulsão nuclear, sejam elas elétricas (como o propulsor iônico da Freedom) ou térmicas (que usam o calor gerado por um reator nuclear, em vez de eletricidade, para acelerar o propelente).
O cronograma segue mantido dentro da agência para despachar o SR-1 Freedom na direção de Marte em dezembro de 2028, aonde a nave chegará em 2029. Para não perder a viagem, a missão levará também um segundo pacote, a missão SkyFall: um módulo contendo três helicópteros similares ao Ingenuity, que farão exploração marciana após uma entrada na atmosfera, marcada para 2030.
Como muitos dos planos recentes da Nasa, este também parece um remendo —mas um que parte de vários elementos já testados e/ou parcialmente construídos, como o PPE e o Ingenuity. Só assim mesmo para fazer virar a missão quase no improviso, como espera a agência.
O custo do projeto também é um pouco opaco, dados os vários elementos que a compõem (o reator, por exemplo, está sendo desenvolvido pelo Departamento de Energia), mas estima-se em algo em torno de US$ 2,1 bilhões, sem incluir a parte dos helicópteros.
E quanto aos parceiros internacionais que ficaram na beira da estrada após o cancelamento do Gateway? A Nasa vem procurando encaixá-los no programa da base lunar, mas a transição não é tão simples. A Itália já encontrou seu próprio espaço, mas a ESA (Agência Espacial Europeia) ainda não sabe muito bem para onde vai, bem como canadenses e japoneses.
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