O presidente do BRB (Banco de Brasília), Nelson de Souza, afirmou nesta segunda-feira (2) a deputados do Distrito Federal que aposta no banco digital do Flamengo como oportunidade de negócio para gerar receitas e alavancar resultados.
Aos parlamentares, segundo relatos feitos à Folha, ele afirmou que o Nação BRB Fla tem potencial para ser o maior banco digital da América Latina.
A declaração foi dada durante reunião de cerca de 11 horas a portas fechadas na Câmara Legislativa do Distrito Federal para tratar de alternativas para capitalizar o BRB após perdas com o caso Master.
A ideia da instituição do Distrito Federal é rebatizar o Nação BRB Fla e potencializar a plataforma digital, que hoje conta com 3,5 milhões de clientes. O tema tem sido discutido pela atual gestão do BRB com o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap.
Como mostrou a Folha, a investigação do caso Master levou a instituição financeira a revisar seus planos de nacionalização e a cortar patrocínios. Apesar disso, o BRB tenta preservar sua relação com o Flamengo e reforçar sua estratégia envolvendo o time rubro-negro.
O tema entrou em discussão quando Souza foi questionado se o BRB pretendia manter sua política agressiva de patrocínios. A expansão do BRB para além da capital federal era um baluarte da gestão de Ibaneis Rocha (MDB). O marco simbólico desse momento do banco foi o patrocínio ao Flamengo, time de coração do governador do Distrito Federal.
No encontro, foram discutidos os detalhes do projeto de lei enviado pelo governo do DF, acionista controlador do BRB, para salvar o banco após prejuízos em operações com o Banco Master.
Deputados da oposição e da base buscaram na reunião esclarecer dúvidas sobre a real situação financeira do banco antes que o projeto seja colocado em votação. O governo Ibaneis tentará votar o projeto para capitalização do BRB nesta terça-feira (3), mas parlamentares defendem ajustes no texto e veem possibilidade de adiamento.
Segundo relatos dos deputados distritais, foi apresentado um menu de possibilidades que poderão ser exploradas pelo BRB.
De acordo com o presidente do BRB, o principal item do cardápio de opções é a constituição de um fundo de investimento imobiliário com propriedades oferecidas pelo governo do Distrito Federal. Souza assegurou, segundo relatos, que existem tratativas avançadas para venda de cotas desse fundo.
Os imóveis foram avaliados em R$ 6,486 bilhões, conforme estimativa apresentada na reunião por representantes da Terracap, responsável pela gestão das terras públicas do Distrito Federal. O valor do conjunto de imóveis não consta no projeto de lei.
O chefe do banco também listou a possibilidade de um empréstimo junto ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e um empréstimo junto a um consórcio de bancos.
“Temos subsidiárias das quais podemos vender participação. Temos a carteira do Master, que é de R$ 21,9 bilhões, e que não vendemos nada ainda. Podemos fazer um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) dela também”, disse.