São Paulo
Cinco espaços culturais independentes no Bexiga, na região central de São Paulo, recebem nos próximos dias a 10ª edição da Farofa do Processo, evento paralelo à Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, a MITsp.
Espetáculos teatrais que estão em fase de criação, com pesquisas e experimentações, serão apresentados ao público de 7 a 15 de março, no esquema “pague quanto puder”.
As apresentações vão reunir 70 artistas em 60 aberturas de processo, além de bate-papos, banca de vendas de livros e intervenções na rua.
Cena de ‘Puff’, investigação teatral que dialoga com danças urbanas e populares brasileiras
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Divulgação
Peças teatrais que circularam na cena nacional ou internacional em 2025 tiveram suas primeiras apresentações na edição anterior da Farofa. Entre elas estão “1 Peça Cansada”, “Antígona Travesti” e “Monga”.
Este ano, artistas como a diretora Georgette Fadel, o diretor Marcelo Marcus Fonseca, fundador do Teatro do Incêndio, e o ator e dramaturgo Rodrigo França vão apresentar obras em diferentes fases do processo de produção.
Da Argentina, a bailarina e coreógrafa Soledad Perez Tranmar traz o trabalho “Pluma”. Artistas de Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte também terão espaço.
A programação inclui o diálogo com espetáculos já consolidados, como “Agropeça”, do Teatro de Vertigem, que aborda o universo dos rodeios associado a personagens do “Sítio do Picapau Amarelo”, de Monteiro Lobato, e está em cartaz no Espaço Cultural Elza Soares, do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), na região central de São Paulo.
O ato-espetáculo musical “anonimATO”, da Cia. Mungunzá, recém-desalojada do Teatro de Contêiner, na Luz, também faz parte da programação, com apresentações na Funarte.
Uma novidade de 2026 é a Sessão Maldita, com apresentações a partir da meia-noite de obras como “A Morta”, a última e mais enigmática peça de Oswald de Andrade, encenada por artistas do grupo Oficina no Teatro Manás.
Veja aqui a programação completa.
Além do Manás, as apresentações experimentais ocuparão a Casa Farofa, o Teatro do Incêndio, o Teatro Estelar e o Teatro da Vertigem —espaços vizinhos na rua Treze de Maio, em uma região que vive uma retomada de sua vocação teatral e boêmia.
“A Farofa sempre nasce das urgências da produção e em 2026 escolhe olhar com mais atenção para os espaços independentes, que são onde o trabalho artístico ganha corpo, tempo e continuidade”, diz Gabi Gonçalves, da produtora Corpo Rastreado, organizadora do evento.
Durante a Farofa será lançado o “Caderno de Mediação”, uma pesquisa sobre o público das artes cênicas a partir de entrevistas com agentes culturais.