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Como ‘One Piece’, como série, atrai mais fãs ocidentais – 11/03/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

As manifestações protagonizadas pela geração Z que eclodiram no México, Nepal, Filipinas e Peru, no ano passado, tinham uma bandeira em comum —preta, com uma caveira com chapéu de palha. É o símbolo da tripulação de Luffy, pirata rebelde de “One Piece“, quadrinho japonês que é fenômeno mundial e içou velas até em Hollywood.

Os jovens que protestaram contra poderes enraizados em suas sociedades —do nepotismo das elites à violência do crime organizado—, cresceram, afinal, acompanhando a história que já se estende por 28 anos e continua a ter novos volumes publicados. Os capítulos se tornam episódios da série de animação quase tão longeva, iniciada em 1999.

As mais de duas décadas formaram uma base robusta e fiel de fãs ao redor do mundo. “One Piece” já vendeu mais volumes do que o “Batman” e está perto de superar o “Super-Homem”. Os animes, aliás, como são chamadas as animações japonesas, reúnem uma comunidade bastante engajada —fatia do mercado cobiçada pela Netflix, que vem adquirindo mais títulos do gênero em seu catálogo e já se tornou o principal streaming para animes no mundo, segundo uma pesquisa do ano passado publicada na revista Variety.

Luffy e seus amigos adentraram de vez nos mares americanos em 2023, quando sua jornada virou uma série live-action milionária produzida pela plataforma, que agora ganha sua segunda temporada e já tem uma terceira leva de episódios confirmada.

A trama se passa em um mundo repleto de ilhas, cada uma habitada por diferentes povos e reinos. Todos respondem ao Governo Mundial, conselho de nobres poderosos e tirânicos, enquanto o mar é dominado por piratas.

Nesse mundo, quem come as chamadas Frutas do Diabo ganha habilidades sobrenaturais, e Luffy, o protagonista, é capaz de esticar o próprio corpo. Com seu inseparável chapéu de palha, ele sonha em se tornar o rei dos piratas e sai pelo mundo em busca de companheiros.

Nessa jornada, enquanto recruta uma tripulação inusitada, ele enfrentará almirantes, nobres e piratas corruptos de toda sorte. Por onde passa, Luffy entra em lutas para defender os oprimidos. E, conforme avança, percebe que todos os vilões estão, de alguma forma, ligados ao Governo Mundial.

“Você nem sempre consegue ver o verdadeiro inimigo em ‘One Piece’, o que faz com que as pessoas identifiquem seus alvos com base nesses inimigos”, diz Taz Skylar, ator que interpreta Sanji, cozinheiro bom de briga e parte da tripulação de Luffy. Esse espaço narrativo, segundo ele, faz com que jovens encontrem semelhanças entre o mundo de “One Piece” e os problemas reais de seus países.

Não é difícil se identificar com algum dos protagonistas. Cada um deles tem algum trauma passado que precisa enfrentar para seguir o próprio sonho. Há também esperança em um mundo melhor —todos vêm de ilhas diferentes e, mesmo assim, passam a cuidar uns dos outros.

Entram no bando de Luffy, além de Sanji, um espadachim, uma navegadora e um atirador mentiroso. Nos novos episódios, se juntará à tripulação também Chopper, uma rena inteligente e falante que ganhou trejeitos humanos após comer um Fruto do Diabo, e Nico Robin, arqueóloga perseguida pelo governo.

O elenco do live-action manteve a diversidade dos personagens criados por Eiichiro Oda, o criador de “One Piece”, que supervisiona a adaptação como produtor executivo. Luffy é interpretado pelo ator mexicano Iñaki Godoy, e Zoro, o espadachim, pelo nipo-americano Mackenyu Arata, filho do ator e lutador de artes marciais Sonny Chiba.

“Quando você em uma história que fala tanto de diversidade, faz sentido que o elenco seja tão diverso quanto. Cada um tem uma perspectiva sobre o que é engraçado ou tocante”, diz Godoy. “Essa mistura de culturas e ideais cria um produto mais atraente para mais pessoas ao redor do mundo.”

Na primeira temporada, pelo menos, a aposta deu certo. A série foi a mais vista da Netflix no semestre em que foi lançada, com 37,8 milhões de visualizações em suas duas primeiras semanas na plataforma. O investimento na trama japonesa acontece no momento em que narrativas de outros países ganham mais projeção em Hollywood, que cambaleia para atrair novos públicos com narrativas originais.

Para Arata, que vive o espadachim Zoro, o interesse do público ocidental por tramas asiáticas está aumentando. Ele, por exemplo, já fez algumas adaptações de mangás para estúdios americanos, entre elas os filmes de “Cavaleiros do Zodíaco” e “Samurai X”. “Há sempre grandes expectativas, e precisamos dar mais do que os fãs esperam”, diz.

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