A Comissão Europeia ameaçou retirar o financiamento destinado à Bienal de Veneza após o anúncio de que a Rússia voltará a participar do evento pela primeira vez desde a invasão da Ucrânia.
Em nota divulgada na terça-feira, o órgão afirmou que a decisão é incompatível com a resposta coletiva da União Europeia à guerra e advertiu que pode suspender ou encerrar um subsídio de três anos concedido à fundação que organiza a mostra, no valor de €2 milhões (aproximadamente R$ 12.200 milhões).
Um grupo formado por mais de 6 mil artistas, curadores, acadêmicos, jornalistas e políticos também divulgou uma carta aberta pedindo que a organização da Bienal reveja a decisão de permitir a participação russa na próxima edição do evento.
O apelo foi publicado pelo movimento Arts Against Aggression International Movement poucos dias depois de a Bienal confirmar que o país integrará a 61ª edição da mostra, que abre em 9 de maio.
No comunicado oficial, a fundação responsável pela Bienal afirmou que a instituição é “aberta” e rejeita qualquer forma de exclusão ou censura à arte.
No texto, os signatários questionam o argumento de que eventos culturais devem se manter neutros diante de conflitos políticos. Para eles, a ideia de que a cultura estaria acima da política pode ser usada para legitimar ações de Estado e suavizar responsabilidades em meio à guerra na Ucrânia.
Autoridades ucranianas também criticaram a decisão. Em declaração conjunta, o ministro das Relações Exteriores, Andriy Sybiha, e a ministra da Cultura, Tetyana Berezhna, afirmaram que a Bienal não deveria servir como espaço de normalização para um país acusado de destruir patrimônio cultural e atacar a identidade ucraniana.
O Ministério da Cultura da Itália afirmou que a decisão foi tomada de forma independente pela organização do evento, apesar de o governo italiano se posicionar contra o retorno russo.