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A ditadura de esquerda – 14/03/2026 – Antonio Prata

by Silas Câmara

O mundo tá tão doido que tem gente, em 2026, que não só teme o comunismo como acredita que vivemos numa ditadura de esquerda. Andei pensando em como seria essa realidade paralela.

Em vez de escolas militares, haveria uma ideia do governo de impor escolas Waldorf Brasil afora. Paraná e Santa Catarina estariam na vanguarda desse projeto. Balneário Camboriú estaria construindo o maior prédio antroposófico do mundo. Duzentos andares onde crianças fariam aulas de tricô e violino e só tomariam homeopatia. (Haveria uns andares pra extrema esquerda, que acha homeopatia uma imposição do capitalismo. Só tomariam floral).

Teríamos no Congresso uma bancada da ioga, lutando para que houvesse aulas para todas as crianças nas escolas públicas. Obviamente, sendo um movimento de esquerda, teria briga. As turmas da hatha, a da vinyasa, da ashtanga e da iyeangar estariam se digladiando por qual linha seria ensinada. Sem falar na briga se a pronúncia seria “ióga” ou “iôga”. Os jornais dedicariam editorias sobre o assunto. Estadão seria a favor de “ióga”. Folha defenderia “iôga”.

Kassab, liderando o centrão, tentaria impor pilates em vez de ioga. (Ou “iôga”. Ou “ióga”). PSTU e PSOL seriam contra ioga (ou “iôga”. Ou “ióga”) e o pilates e tentariam implementar o tai-chi obrigatório para todas as crianças. Só receberia bolsa-família quem fizesse tai-chi. Haveria muito dinheiro envolvido nisso. Escândalos sobre emendas bilionárias envolvendo dinheiro para o ayuausca. A direita abriria a CPI do Santo Daime.

Doritos, Fandangos e Coca-Cola teriam sido banidos. Crianças pegas com Oreo iriam pra Fundação Casa. A bancada budista tentaria mudar o ECA para que a partir dos 16 anos, crianças com Oreo ou Fandangos fossem condenadas a internação em comunidades hippies. Teriam que passar 6 meses em Caraíva, numa dieta vegana. Cantando Geraldo Vandré.

Claro que a direita se revoltaria. Haveria um comércio paralelo. PCC, CV e Banco Master viveriam basicamente da venda de salgadinhos e Fanta Uva. Pessoas pegas com produtos orgânicos seriam assassinadas na periferia.

A maior preocupação dos pais seria que as crianças estivessem vendo muita TV Cultura. Em vez de Instagram, Youtube e Tik Tok, estaríamos desesperados pelos excessos de Peppa Pig, Bluey e Ruth Rocha. Já os adolescentes e adultos seriam obrigados a ver filmes do Kleber Mendonça e dos irmãos Salles. Tudo pago com a Lei Rouanet.

Nesta ditadura de esquerda, todo dia, seis horas da tarde, todo mundo pararia o que estivesse fazendo e teria que ouvir Maria Bethânia. É lei. Senão, vão presas. Se não virem os filmes do Eduardo Coutinho, também são presas. Se não virem “Terra em Transe” e “Deus e Diabo na Terra do Sol”, idem. A polícia pararia um cidadão e perguntaria: “tá vindo de onde, indo pra onde e quem é o ator principal de “Deus e Diabo na Terra do Sol?” Se não falar Othon Bastos, direto pra Caraíva.

Os EUA bombardeariam o Irã e imporiam a todo mundo ouvir Bob Dylan e ler Jack Kerouac. Soldados entrariam com os livros e os discos. Leiam e ouçam. O mundo tá indo pra extrema direita. E tem gente achando que estamos no comunismo.


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