Um público numeroso aguardava Addison Rae subir ao palco Samsung Galaxy do Lollapalooza Brasil neste domingo, 23, último dia de festival. Foi um fim de tarde quente e cortado por uma brisa leve —o cenário perfeito para o pop de verão da americana.
“Eu sonhei em vir para o Brasil a minha vida inteira”, disse depois de fazer o público vibrar com um trecho de funk em “Fame Is a Gun”, a primeira música que cantou.
Foi uma apresentação banhada a referências dos anos 1990 e 2000, décadas das quais ela bebe esteticamente. Estavam ali coreografias dramáticas a là “Dança dos Famosos”, figurinos brilhantes, muito playback e uma cafonice intencional própria da época.
Sonoramente, as referências de Rae são evidentes —”I Got It Bad” é uma ode tão clara a Britney Spears que aproveita trechos de “…Baby One More Time”, clássico da cantora, e “Summer Forever” usa elementos-chave da obra de Lana Del Rey e sua nostalgia sonora inconfundível.
Ela expõe as referências em suas letras, inclusive. Em “Money Is Everything”, pede pro DJ tocar Madonna e diz que quer bolar um com Lana e ficar chapada com Gaga.
Mas Rae torna tudo isso seu, e adiciona à mistura a música eletrônica de suas parcerias —um dos momentos mais animados do show é quando ela mistura os remixes de “Von Dutch” que fez a convite de Charli XCX, a sua participação em uma faixa de A.G. Cook, outro queridinho dos alternativos. Entre elas, Rae desce do palco para convocar uma leva de berros da plateia, que responde em êxtase.
A americana faz um pop despreocupado que caiu no gosto de alternativos principalmente depois que lançou seu primeiro e único álbum, “Addison”, do ano passado. Ele foi tocado praticamente na íntegra e recebido pelas ondas de bateção de leque que viraram regra nesta edição do festival. Antes de “Headphones On”, pediu para o público fazer barulho para si mesmo e curiosamente se declarou fã da marca Havaianas.
As ambições artísticas de Rae, que nasceu nos anos 2000, apareceram já aos seis anos de idade, quando começou a dançar em competições. Em 2019, ela entrou para o mundo do TikTok, que naquele momento explodia em possibilidades para quem tivesse coisas a dizer e a mostrar. A americana ascendeu junto com o aplicativo, e hoje acumula 88 milhões de seguidores.
A música veio só depois, em 2021, quando ela lançou “Obsessed”, tão esquecível que nem apareceu no setlist de hoje. Rae, como a clássica influenciadora que era, continuou atirando para alguns lados —lançou uma linha de cosméticos, outra de perfumes e atuou em filmes.
Em 2022, demos do EP engavetado do ano anterior foram vazadas no YouTube e ficaram tão populares que ela acabou lançando o trabalho um ano depois. O pesadelo de um artista acabou sendo o divisor de águas de sua vida, transformando-a de flop a um dos nomes mais incensados da música pop.
A partir daí tudo mudou para a cantora. Vieram o remix de “Brat” e o lançamento de seu primeiro grande single, “Diet Pepsi”, um dos refrãos mais chicletes do pop daquele ano —e não à toa assinado em conjunto com uma dupla de produtoras associadas ao produtor sueco Max Martin. Foi ela que, cantada em coro e acompanhada de uma chuva de fogos, fechou o show deste domingo de Lollapalooza Brasil.