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Addison Rae mergulha Lollapalooza nos anos 2000 – 22/03/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

Um público numeroso aguardava Addison Rae subir ao palco Samsung Galaxy do Lollapalooza Brasil neste domingo, 23, último dia de festival. Foi um fim de tarde quente e cortado por uma brisa leve —o cenário perfeito para o pop de verão da americana.

“Eu sonhei em vir para o Brasil a minha vida inteira”, disse depois de fazer o público vibrar com um trecho de funk em “Fame Is a Gun”, a primeira música que cantou.

Foi uma apresentação banhada a referências dos anos 1990 e 2000, décadas das quais ela bebe esteticamente. Estavam ali coreografias dramáticas a là “Dança dos Famosos”, figurinos brilhantes, muito playback e uma cafonice intencional própria da época.

Sonoramente, as referências de Rae são evidentes —”I Got It Bad” é uma ode tão clara a Britney Spears que aproveita trechos de “…Baby One More Time”, clássico da cantora, e “Summer Forever” usa elementos-chave da obra de Lana Del Rey e sua nostalgia sonora inconfundível.

Ela expõe as referências em suas letras, inclusive. Em “Money Is Everything”, pede pro DJ tocar Madonna e diz que quer bolar um com Lana e ficar chapada com Gaga.

Mas Rae torna tudo isso seu, e adiciona à mistura a música eletrônica de suas parcerias —um dos momentos mais animados do show é quando ela mistura os remixes de “Von Dutch” que fez a convite de Charli XCX, a sua participação em uma faixa de A.G. Cook, outro queridinho dos alternativos. Entre elas, Rae desce do palco para convocar uma leva de berros da plateia, que responde em êxtase.

A americana faz um pop despreocupado que caiu no gosto de alternativos principalmente depois que lançou seu primeiro e único álbum, “Addison”, do ano passado. Ele foi tocado praticamente na íntegra e recebido pelas ondas de bateção de leque que viraram regra nesta edição do festival. Antes de “Headphones On”, pediu para o público fazer barulho para si mesmo e curiosamente se declarou fã da marca Havaianas.

As ambições artísticas de Rae, que nasceu nos anos 2000, apareceram já aos seis anos de idade, quando começou a dançar em competições. Em 2019, ela entrou para o mundo do TikTok, que naquele momento explodia em possibilidades para quem tivesse coisas a dizer e a mostrar. A americana ascendeu junto com o aplicativo, e hoje acumula 88 milhões de seguidores.

A música veio só depois, em 2021, quando ela lançou “Obsessed”, tão esquecível que nem apareceu no setlist de hoje. Rae, como a clássica influenciadora que era, continuou atirando para alguns lados —lançou uma linha de cosméticos, outra de perfumes e atuou em filmes.

Em 2022, demos do EP engavetado do ano anterior foram vazadas no YouTube e ficaram tão populares que ela acabou lançando o trabalho um ano depois. O pesadelo de um artista acabou sendo o divisor de águas de sua vida, transformando-a de flop a um dos nomes mais incensados da música pop.

A partir daí tudo mudou para a cantora. Vieram o remix de “Brat” e o lançamento de seu primeiro grande single, “Diet Pepsi”, um dos refrãos mais chicletes do pop daquele ano —e não à toa assinado em conjunto com uma dupla de produtoras associadas ao produtor sueco Max Martin. Foi ela que, cantada em coro e acompanhada de uma chuva de fogos, fechou o show deste domingo de Lollapalooza Brasil.

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