Um policial rodoviário federal matou a namorada, a comandante da Guarda Municipal de Vitória, com tiros na nuca e, em seguida, tirou a própria vida dentro da casa dela, na capital do Espírito Santo, durante a madrugada desta segunda-feira (23). Segundo a investigação, o agente não aceitava a tentativa de término do relacionamento.
A comandante Dayse Barbosa Matos, 37, foi atingida enquanto estava no quarto. O autor dos disparos é Diego Oliveira de Souza, agente da PRF lotado em Campos dos Goytacazes (RJ).
Segundo as investigações iniciais, há indícios de que o crime tenha sido premeditado. De acordo com o secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarílio Boni, o policial levou materiais para invadir o imóvel e acessar o quarto onde a vítima dormia.
“A circunstância é que ele foi com o intuito de cometer o feminicídio. Ele levou materiais para entrar na residência e subir na marquise. Tudo indica que ele a pegou deitada, dormindo, e efetuou os disparos sem possibilidade de reação”, afirmou.
A titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher de Vitória, delegada Rafaella Aguiar, também apontou indícios de planejamento. “Os vestígios recolhidos na cena do crime sugerem que ele tinha planejamento porque ele levou ferramentas para arrombar a porta, uma escada”, disse.
Segundo a delegada, relatos colhidos após o crime indicam que o policial não aceitava o fim do relacionamento. “Depois do crime, é que começaram as pessoas a comentar que ele era um homem ciumento, possessivo, extremamente controlador”, afirmou.
O crime ocorreu dentro da casa onde a comandante morava com o pai e a filha. O pai da vítima estava no imóvel no momento dos disparos e relatou ter ouvido o primeiro tiro.
Após matar Dayse, Diego foi até a cozinha e tirou a própria vida. Marcas de tiros foram encontradas tanto no quarto quanto no local onde ele morreu.
No imóvel, policiais encontraram uma escada que teria sido usada para a invasão pela marquise, além de sinais de arrombamento na porta principal. Dentro de uma mochila levada pelo agente havia itens como faca, canivete, álcool, carregadores de munição, alicate e um isqueiro.
Testemunhas relataram à polícia que o relacionamento do casal era conturbado. Segundo esses relatos, a vítima tentava encerrar a relação, o que não era aceito pelo policial. Em um episódio anterior, ele já teria tentado arrombar a casa dela.
Apesar disso, de acordo com familiares, não havia registro formal de denúncia por violência.
Dayse foi a primeira mulher a comandar a Guarda Municipal de Vitória. Ela deixa uma filha.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, Diego ingressou na corporação em 2020. Antes disso, ele também atuou como guarda municipal, período em que conheceu a vítima.
A Polícia Científica realizou perícia no local, e os celulares dos dois foram apreendidos e serão analisados. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídio e Proteção à Mulher de Vitória.
Em nota, a Polícia Rodoviária Federal afirmou que lamenta “profundamente as circunstâncias da ocorrência” e declarou que está à disposição para colaborar com as investigações. A corporação também reiterou “seu compromisso com a vida, contra o feminicídio e a violência contra as mulheres”.
O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), decretou luto oficial de três dias. Em nota, a prefeitura afirmou que Daisy teve trajetória marcada por “ética, dedicação, sensibilidade, coragem e compromisso com a segurança pública”.
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), disse, em rede social, que recebeu a notícia com “tristeza e indignação” e classificou o caso como um “crime brutal, que evidencia a gravidade da violência contra a mulher”.
O velório ocorreu nesta segunda-feira, e o sepultamento estava previsto para o fim da tarde.