O mais intrigante, na notícia da detenção do ex-príncipe Andrew, é a sua condição de ex-príncipe. O comportamento que levou à sua detenção não me surpreende particularmente.
Os pais do ex-príncipe Andrew, a rainha Elizabeth 2ª e o príncipe Philip , eram primos de terceiro grau. Esta consanguinidade não costuma produzir bons resultados. Curiosamente, a tentativa de obter um sangue mais puro não resulta em grande pureza.
Claro que se poupa muito dinheiro, principalmente no Natal. A rainha não precisava de comprar um presente para o marido e um para o primo em terceiro grau, porque eram a mesma pessoa.
Algumas pessoas têm dito que o sucedido não serve de argumento para defender a superioridade da república sobre a monarquia, uma vez que presidentes também têm tido comportamentos censuráveis. É verdade, mas quando isso acontece a gente tem maneira de os mandar embora ao fim de quatro anos. Com um monarca isso é mais difícil porque ele tem uma característica política imbatível: foi gerado no útero certo e na altura certa.
Outras pessoas podem ter sido geradas no mesmo útero, mas não tiveram a sorte de ser expelidas para o mundo pela ordem correta. Ainda assim, neste caso não estamos a falar de um rei. É um príncipe. Essa é outra vantagem da república: os filhos, pais, irmãos e netos do presidente não ocupam vários palácios. No boletim de voto só aparece uma pessoa, não elegemos a família inteira. Há um palácio para o presidente, e ele é apenas inquilino temporário. No fim do mandato, sai. Não fica lá até morrer.
Portanto, como disse, não me surpreendeu que um aristocrata se comportasse assim. O que achei interessante foi o fato de ele ser um ex-príncipe. Normalmente, os príncipes já nascem príncipes, e assim se mantêm para sempre.
Já ouvi falar de ocorrências raras em que um sapo não é príncipe, mas depois alguém o beija e ele transforma-se num. Mas neste caso deu-se o contrário: Andrew era príncipe e, precisamente por causa de uns beijinhos que deu, deixou de o ser. É um feitiço que não costuma aparecer nas histórias infantis, mas é pena.
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