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Alta do diesel é das maiores do século – 21/03/2026 – Vinicius Torres Freire

by Silas Câmara

Em fevereiro, logo antes da guerra, o preço médio do diesel estava quase tão caro quanto no mês que antecedeu o caminhonaço de maio de 2018, greve de caminhoneiros, bloqueio de estradas e locautes que pararam o país. Neste março de guerra e de início de pânicos econômicos, o combustível ficou mais caro do que no paradão de 2018 —mesmo com dados preliminares, já é possível dizê-lo.

Mais “caro” aqui quer dizer que o custo relativo do combustível é maior, em uma conta baseada no poder de compra do salário médio em termos de litros de diesel.

As causas do caminhonaço são discutidas até hoje. Mas o negócio dos caminhoneiros estava na pior. Havia caminhoneiros em excesso para uma economia deprimida havia quase quatro anos, em um momento em que o custo dos combustíveis subia e variava com frequência, dada a nova política de preços da Petrobras, sob Michel Temer.

O custo do diesel (em termos de salário) é agora em março o maior desde 2012, excluído o período dos picos da Covid (2021-2022) e 2023. Mas, em termos mais imediatamente eleitorais, importa o nível ou a variação recente? O pico da variação de preço em um trimestre agora é um dos quatro maiores desde 2001. Perde para outubro de 2023 (volta de impostos sobre diesel, guerra de Israel e Hamas, corte de produção da Opep, houthis do Iêmen atacando o mar Vermelho). Para maio de 2022, com a invasão da Ucrânia pela Rússia, por exemplo. No caso da gasolina, houve mais de uma dúzia de picos de alta maiores.

O custo do diesel aparece de imediato para pouca gente, claro. Vai afetar o preço dos produtos transportados, em particular comida. Em 12 meses, a inflação de alimentos está zerada. Mas o poder de compra de alimentos do salário médio ainda é menor do que logo antes da Covid, mesmo com a grande recuperação nos anos de Lula 3. O eleitorado, o mais pobre em especial, vai ressentir de novo a carestia da comida. O problema está à flor da pele, até em lugar rico, como os EUA.

Governos do mundo estão nervosos não apenas com preços, mas com a hipótese de escassez. Na Ásia, há de racionamentos a restrição à exportação de petróleo, como na China e na Índia. Na Europa, há cortes de impostos e outros planos de limitar preços.

No final da semana passada, houve altas feias nos mercados em que se definem as taxas de juros para financiamento de dívida pública e pisos para a economia inteira. No Brasil, tivemos pânicos com juros na sexta (13) e, de novo, na sexta passada (20). Juros dão saltos, para todos os prazos. Cai a probabilidade no corte das taxas que os bancos centrais em geral controlam, as de curtíssimo prazo (como a Selic do Brasil). Economistas dos bancões do mundo dizem que três semanas de guerra já bastaram para garantir aumento de inflação neste ano, pelo planeta, não importa a duração restante da desgraça causada por Donald Trump. Mesmo com o fim dos ataques, o conserto das instalações de produção e transporte vai levar meses.

O governo brasileiro está nervoso também. Tomou medidas paliativas e ora dá sinais de desespero, dizendo ao menos na propaganda que o controle estatal da produção e da distribuição resolveria o problema, o que não é possível, diz gente do governo, por causa de privatização do varejo e de parte do refino. É bobagem, mas assunto para outro dia. O problema agora é o que fazer de preços sem correr risco ainda maior de desabastecimento, que já ocorre em partes do país.


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