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Após 7 anos, MP arquiva inquérito da disputa pela Eldorado – 05/04/2026 – Painel S.A.

by Silas Câmara

O último capítulo de uma das maiores disputas societárias brasileiras neste século teve o último capítulo no último dia 31. Foi quando o MPF (Ministério Público Federal) pediu o arquivamento de inquérito criminal sobre possível invasão de servidores com o objetivo de desviar cerca de 70 mil e-mails da Eldorado Brasil, J&F e JBS.

Quando o crime teria acontecido, em junho de 2019, a holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista brigava com a Paper Excellence, do indonésio Jackson Wjaya, pelo controle da companhia de celulose.

O inquérito criminal foi aberto em Diadema e o MPF concluiu que as provas obtidas em quase sete anos de investigação não sustentam uma denúncia. Segundo o documento que pede o arquivamento, os elementos probatórios digitais apresentam falhas graves nas cadeias de custódia desde o início da investigação.

O Ministério Público afirma que os laudos periciais produzidos por empresa contratada pela J&F e pelo Instituto de Criminalística de São Paulo apresentam divergências nos códigos hash dos arquivos analisados. Com isso, teria se tornado impossível verificar a integridade dos dados.

Código hash é uma sequência alfanumérica única que serve como uma espécie de impressão digital e garante a autenticidade dos arquivos.

O objetivo do inquérito era investigar suposta invasão dos sistemas da empresa CTI NET Soluções em Conectividade e Informática. Sete pessoas foram indiciadas.

Para o MPF, um problema comprobatório para levar o inquérito adiante foi que, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, representantes da J&F e da empresa Ventura Enterprise Risk Management, indicada pela holding, participaram dos procedimentos da polícia e ficaram com a guarda dos dispositivos apreendidos.

O Ministério Público concluiu que as dúvidas sobre a integridade do material comprobatório eram insuperáveis.

A disputa pelo controle da Eldorado teve origem em setembro de 2017. A J&F aceitou vender 49,41% das ações da empresa para a Paper Excellence por R$ 3,8 bilhões. Os outros 50,59% seriam sacramentados no prazo de 12 meses, com a companhia indonésia obrigada a liberar as garantias dadas pelos Batista em empréstimos e dívidas da Eldorado.

A briga começou no ano seguinte porque a Paper interpretou que a J&F começou a colocar seguidos empecilhos para que a liberação das garantias não acontecesse e o prazo expirasse. Antes que isso ocorresse, judicializou a questão.

A J&F alegou que a rival usou a ação como subterfúgio por não ter conseguido cumprir o contrato de compra e venda.

A transação também foi travada por ação no TRF-4, em Santa Catarina, sobre a inconstitucionalidade de uma empresa estrangeira ser dona de terras no Brasil.

Pelos sete anos seguintes, houve ações e recursos no TJ-SP, STJ, arbitragem, pedidos de anulação e ameaça de levar a reclamação a tribunais do exterior. No meio do caminho, aconteceu a denúncia de tentativa de roubo dos e-mails que teriam sido trocados entre advogados da J&F durante a arbitragem.

Em maio de 2025, a Paper Excellence aceitou acordo proposto pela J&F, e a holding brasileira pagou US$ 2,64 bilhões à vista pelos 49,41% das ações, passando a ser a única acionista da Eldorado.


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