Durante o histórico sobrevoo lunar desta segunda-feira (6), os astronautas da missão Artemis 2 da Nasa trabalharam intensamente para identificar e fotografar características do lado oculto da Lua.
Seus relatos foram além da linguagem simples e técnica frequentemente associada à ciência. Em vez disso, estavam repletos de admiração, entusiasmo e reflexão.
Reid Wiseman, da Nasa, comandante da missão, observou com entusiasmo crateras de impacto e um redemoinho na superfície lunar.
“É exatamente tudo do treinamento, mas em três dimensões e absolutamente inacreditável”, disse ele. “Isso é incrível.”
“Não importa quanto tempo olhemos para isso, nossos cérebros não estão processando”, disse Wiseman, que brincando pediu ao controle da missão que lhe enviasse uma lista de novas palavras para expandir seu vocabulário.
“Não existem adjetivos”, acrescentou. “Vou precisar inventar novos. Simplesmente não existem palavras para descrever o que estamos vendo por esta janela.”
Jacki Mahaffey, oficial da Nasa no controle da missão, riu em resposta. “Entendido, alegria lunar”, disse ela.
À medida que a superfície lunar se aproximava, essa alegria lunar se intensificou.
“Tive uma sensação avassaladora de emoção ao olhar para a Lua”, relatou ao controle da missão Christina Koch, especialista de missão a bordo da espaçonave, batizada pelos astronautas de Integrity.
“A Lua realmente é um corpo único no universo“, acrescentou Koch, astronauta da Nasa. “Não é apenas um pôster no céu que passa —é um lugar real.”
A ciência é frequentemente vista como algo incolor e objetivo, a ser conduzida com pouca emoção ou expressão. Mas enquanto os membros da tripulação da Artemis 2 pintavam colinas, vales e planícies lunares na mente dos ouvintes na Terra, eles ofereceram um modelo de abordagem tocante para a investigação científica.
A admiração surgiu no fim de semana, conforme se aproximavam da Lua.
Jeremy Hansen, especialista de missão da Agência Espacial Canadense, descreveu a vista da espaçonave como de tirar o fôlego.
Victor Glover, o piloto, ficou particularmente fascinado pela magia da linha do terminador lunar, que separa o lado iluminado pelo sol da parte envolta em escuridão. Ele observou ilhas de luz e vales de buracos negros ao longo da divisória.
“Você cairia direto até o centro da Lua se pisasse em alguns desses”, disse ele.
A tripulação descreveu um campo de estrelas cercando uma Lua escurecida e identificou Marte por seu tom avermelhado, bem como um Saturno alaranjado. A Terra também brilhava intensamente.
Wiseman e Hansen relataram flashes de luz na superfície lunar —impactos de meteoros em tempo real— o que fez Young levantar de sua cadeira.
Quando o Sol emergiu do outro lado da Lua, os astronautas compararam o ponto crescente de luz no horizonte lunar a uma chama, e os fios tênues de sua atmosfera externa a cabelos de bebê.
Depois de um tempo, as palavras simplesmente não eram suficientes.
Glover também ficou impressionado com a nitidez das características da Lua através das lentes de sua câmera.
“Era difícil falar”, disse ele ao controle da missão durante o sobrevoo. Entre descrições mais técnicas da Lua, ele descreveu para onde sua imaginação havia viajado.
“Eu estava caminhando lá embaixo na superfície, escalando e fazendo trilhas naquele terreno incrível”, disse ele.
Em Houston, o controle da missão comemorou. “Todos nós acabamos de fazer essa caminhada lunar com você”, disse Kelsey Young, especialista lunar que lidera a parte científica da missão Artemis 2.
Durante uma entrevista aos jornalistas no sábado (4), Young explicou que os astronautas passaram por treinamento extensivo para aprender a fazer descrições científicas da Lua, estudando desde cartões de memorização em sala de aula até o terreno semelhante ao lunar da Islândia.
O sentimento em suas respostas, no entanto, parecia não ensaiado. E em vez de desencorajar a emoção, Young parecia senti-la junto com eles.
Essa expressividade atingiu o auge enquanto a tripulação assistia a um eclipse solar do espaço durante a parte final do sobrevoo lunar. O Sol deslizou atrás da Lua, induzindo um halo de luz ao redor da borda lunar, enquanto sua face brilhava fracamente, iluminada pelo brilho da Terra.
“Depois de todas as visões incríveis que vimos antes, acabamos de entrar em ficção científica”, disse Glover. “Dá para ver a maior parte da Lua. É a coisa mais estranha poder ver tanto da superfície.”