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Ave Sangria conquista anistia 50 anos após censura – 27/03/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

Apesar de cantar na música “O Pirata” que sua guerra “nunca, nunca vai ter fim”, a banda pernambucana Ave Sangria parece, por fim, colocar um ponto final na luta.

A Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos aprovou nesta quinta-feira (26) a anistia à banda. O disco de estreia do grupo, lançado em 1974, foi censurado pela ditadura militar.

A decisão marca um gesto formal do Estado brasileiro, que pediu desculpas aos músicos e estabeleceu o pagamento de uma pensão mensal e vitalícia de R$ 2 mil. O valor retroativo ainda será calculado.

A medida busca reparar a interrupção forçada da carreira da banda, então em ascensão, que acabou desarticulada.

A canção “Seu Waldir” tornou-se o principal símbolo da censura enfrentada pela banda. A música ganhou repercussão nas rádios até ser alvo de uma campanha que a acusava de insinuar conteúdo homossexual. A reação resultou na retirada do disco de circulação e no silenciamento do grupo. A música, no entanto, foi escrita pelo vocalista para ser interpretada por Marília Pêra, em uma peça de teatro.

A Ave Sangria retomou as atividades e lançou, em 2019, o álbum “Vendavais“.

Marco Polo e Almir de Oliveira, membros da formação original da banda, acompanharam a votação em Brasília por transmissão no Memorial da Democracia, no Sítio Trindade, no Recife. Segundo Polo, a escolha do lugar não foi à toa. Era lá que a banda ensaiava e onde o Movimento de Cultura Popular nasceu.

Para Polo, a decisão também tem peso simbólico. “Foi uma emoção muito grande e uma sensação de alívio. O Estado reconhece que errou e tenta reparar. Cinquenta anos depois, ainda chega em boa hora — estamos vivos e seguimos batalhando pela música, pela liberdade e pela democracia”, disse.

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