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Banco Master e os podres poderes patriarcais – 12/03/2026 – Djamila Ribeiro

by Silas Câmara

Reveladas fraudes bilionárias em fundos de pensão, orgias com garotas de programa estrangeiras e contratação de um sicário, a situação do Banco Master ganhou ares de escárnio.

Talvez alguns homens consigam escapar de serem expostos por seus envolvimentos com o banqueiro. Todavia isso parece improvável, sobretudo no caso de autoridades que ocupam chefias de instituições e que se esbaldaram em eventos grotescos que vêm sendo revelados dia após dia.

Somente nesta última semana chamou atenção a tentativa de explicação sobre os serviços advocatícios supostamente prestados pela advogada Viviane Barci e seus filhos ao Banco Master.

Foram três meses de silêncio desde que a jornalista Malu Gaspar revelou o contrato de R$ 129 milhões. Foi o “escândalo original” do Master —aquilo que chamou todas as atenções desde o princípio—, pois Viviane e os filhos do casal formam uma família com o ministro Alexandre de Moraes, o Xandão. Além do valor faraônico estipulado, a prestação de serviço não consegue ser demonstrada à altura da quantia multimilionária.

Nesta semana, a coluna de Mônica Bergamo publicou nota do escritório, instado a vir a público depois de muita pressão. Barci listou dezenas de reuniões na sede do banco, pareceres internos e um abstrato serviço de “compliance” —que, à luz do caso Master, revelou-se um fiasco retumbante.

Mais que falho, o serviço de compliance é questionável. Como trouxe Lauro Jardim em sua coluna, o plano de compliance apresenta potencial plágio e uso de IA acima de 70%. Trata-se de mais um “caso isolado” da meritocracia à brasileira que vigora neste país do patrimonialismo desde sempre. E é cada vez mais concreta a hipótese de que o serviço jurídico tenha sido de fachada.

Vale lembrar que o arquivamento relâmpago da investigação sobre a natureza do contrato por Paulo Gonet, procurador-geral da República —a quem caberia apurar os fatos em nome da sociedade—, foi na contramão de suas atribuições. Seria, em si, inexplicável. Contudo, a reportada amizade de longa data entre ele e o ministro ajuda a entender o porquê de o flagrante ter ido para sua gaveta.

Nas redes sociais, o público polarizado se digladia sobre uma premissa falsa. Em qualquer notícia, alguém logo afirma, “o Master é da direita!”, enquanto outra pessoa responde, “é da esquerda!”. Ambos listam políticos implicados e, por essa linha de raciocínio, ambos acabam corretos. Contudo, a falsidade da premissa é a seguinte: o que os une não são suas convicções políticas ou religiosas, mas o fato de serem homens.

Em reportagem desta semana, o portal Poder360 revelou uma das tantas festas promovidas por Daniel Vorcaro para autoridades, pagas com dinheiro de aposentados. Foram incríveis R$ 3 milhões por duas horas de degustação de uísque em um “clube de cavalheiros” em Londres.

Entre os presentes estariam os ministros Alexandre de Moraes e seu amigo Gonet, além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o ministro Dias Toffoli, o presidente da Câmara, Hugo Motta, o então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski (cujo escritório da família também advogava para o banco), o ministro do STJ Benedito Gonçalves, além do banqueiro corruptor e de seu advogado, entre outros convidados.

A legislação brasileira criminaliza a conduta de quem aceita vantagem indevida oferecida em razão da função pública exercida. Além dos R$ 3 milhões investidos e usufruídos em uísque e “entretenimento” (precisamos saber se havia garotas de programa no clube, hipótese incômoda pela ausência reportada de autoridades mulheres na esbórnia), cada um levou para casa uma garrafa de uísque de presente.

Há algumas semanas venho escrevendo sobre a prevaricação da Polícia Federal em não investigar as condições materiais de garotas de programa estrangeiras em orgias promovidas pelo banqueiro e autoridades no Brasil. Hoje, vendo a presença revelada do chefe da instituição na “degustação”, entendo as razões da omissão e negligência.

Compreender a omissão, contudo, não significa aceitá-la. Estive em Amsterdã a convite da prefeita Femke Halsema para um evento relacionado ao 8 de Março. Dividi um painel com a advogada ucraniana Oleksandra Matviichuk, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2022.

Além de denunciar o caso Master em minha fala, entreguei a ela um relatório com um resumo da situação, destacando a omissão das autoridades brasileiras na averiguação de potenciais crimes de tráfico humano para exploração sexual de mulheres vindas de países em situação de guerra.

Recebi de Oleksandra o apoio necessário para internacionalizar as investigações, visto que já não há como confiar nas instituições brasileiras responsáveis por apurar, acusar e julgar o episódio.


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