A banda sueca Millencolin retorna ao Brasil para a turnê “We Are One”, junto com os americanos do Pennywise e os canadenses do Mute. A excursão começa em 20 de março em Santiago do Chile, passa dia 22 por Buenos Aires (Argentina) e chega ao Brasil no dia 24, em Porto Alegre (URB Stage). No dia 25 tocam em Florianópolis (Life Stage), dia 26 em Curitiba (Piazza Notte), encerrando a turnê em São Paulo no dia 28 (Terra SP) e Rio de Janeiro no dia 29 de março, com um show no Sacadura 154.
“Não podemos esperar para tocar de novo no Brasil”, diz o guitarrista Mathias Färm, “Sempre fomos muito bem recebidos pelos brasileiros, desde nossa primeira viagem ao Brasil (em 1998), lá se vão quase 30 anos. Lembro que foi uma turnê caótica e divertida, com plateias simplesmente insanas. Num show, minha guitarra quebrou em dois pedaços!”
O Millencolin surgiu em 1992 em Örebro, na Suécia, formado por quatro amigos que tinham em comum a paixão pelo skate: o cantor e baixista Nikola Šarčević, os guitarristas Mathias Färm e Erik Ohlsson e o baterista Fredrik Larzon. “O que nos uniu, antes da música, foi o skate”, diz Färm. “Começamos a curtir as músicas que ouvíamos nas fitas VHS de skate a que assistíamos, e foi assim que nos apaixonamos pelo punk rock”.
Os dois primeiros LPs da banda, “Same Old Tunes” (1994) e “Life on a Plate” (1995), fizeram sucesso na Suécia, mas o Millencolin explodiu mesmo quando a poderosa gravadora californiana Epitaph, casa de Bad Religion, NOFX, The Offspring e Pennywise, decidiu lançar “Life on a Plate” nos Estados Unidos. A parceria deu tão certo que a Epitaph lançou todos os discos subsequentes da banda: “For Monkeys” (1997), “Pennybridge Pioneers” (2000), “Home from Home” (2002), “Kingwood” (2005), “Machine 15” (2008), “True Brew” (2015) e “SOS” (2019).
Perguntado se a banda estaria trabalhando em material para um disco novo, Färm diz: “Sempre. Nunca paramos de gravar. Temos nosso próprio estúdio na Suécia e isso nos deixa muito à vontade para gravar na hora que queremos”. O guitarrista diz que a banda pode tocar músicas novas no Brasil: “Nós sabemos o que nossos fãs querem ouvir, então sempre pensamos no repertório para agradar a eles. Ainda não decidimos o setlist dos shows, mas é bem capaz de tocarmos canções desconhecidas do público”.
Färm diz que o fato de o Millencolin ser formado por amigos e ter a mesma formação há mais de 30 anos é uma das razões pela qual a banda ainda gosta da vida na estrada. “Excursionar não é fácil. Você passa muito tempo longe de casa, correndo de uma cidade para outra, sempre com pressa e sem dormir direito. As pessoas acham que é uma vida de sonhos, mas a realidade é bem diferente. Por sorte somos muito amigos, ainda moramos no mesmo lugar e estamos juntos há muito tempo. Isso nos mantêm com os pés no chão.”
E ser punk na Suécia em 1992, como era? “Não só na Suécia, mas na QUINTA maior cidade da Suécia”, diz Färm. “Nós éramos vistos como uns desajustados, uns jovens sem futuro. Nossa sorte é que realmente acreditávamos em ter uma carreira na música. E a Suécia é um país bom para quem tem sonhos de ser músico. Sabe, nós pagamos impostos altíssimos, mas temos ótimas escolas públicas de música. E se você é uma banda iniciante e precisa de um lugar para ensaiar, é só pedir ao governo local que eles te dão horários em estúdios ótimos e bem equipados. Não podemos reclamar, sempre tivemos ajuda e isso nos deu tranquilidade para gravar nossos primeiros discos e começar nossa carreira”.