Os blocos Acadêmicos do Baixo Augusta, Tarado Ni Você, Explode Coração, Minho Queens, Charanga do França, Pagu, Bloco do Tatuapé e Bloco da Mama fizeram uma manifestação para destacar a importância da participação de grupos tradicionais no Carnaval de São Paulo.
Representantes das associações ergueram na terça (3) na rua da Consolação, região central da capital paulista, a faixa “Respeitem os blocos de São Paulo”.
À coluna, eles afirmam que a ideia do protesto é alertar para um problema que pode ameaçar a folia na cidade nos próximos anos: a de que marcas patrocinadoras passem a dominar o Carnaval de rua, colocando em risco a existência dos blocos mais tradicionais que iniciaram há cerca de 20 anos o movimento para recuperar a festa nas ruas do município.
Neste ano, dois megablocos que vão desfilar no pré-Carnaval paulistano são iniciativas de marcas: a 99 levará Ivete Sangalo para o Ibirapuera no sábado (7), e a Skol terá um bloco com o DJ Calvin Harris na Consolação no domingo (8).
Segundo representantes desses grupos, o atual modelo adotado pela Prefeitura de São Paulo para fomentar o Carnaval precisa ser atualizado para estimular que a iniciativa privada invista também nos blocos já existentes da cidade.
O Sargento Pimenta já anunciou que não conseguirá desfilar neste ano na capital paulista por não conseguir apoio. O Tarado Ni Você e Pagu também relataram dificuldades na busca por patrocínio, mas vão manter os desfiles.
O patrocínio da Ambev, no valor de R$ 30,2 milhões, é usado pela Prefeitura na instalação de gradis, aluguel de banheiros químicos, contratação de funcionários terceirizados, entre outros detalhes da infraestrutura carnavalesca.
Para os blocos, por sua vez, a gestão Ricardo Nunes (MDB) reservou um total de R$ 2,5 milhões para cem grupos. O recurso é oferecido por meio de edital de Fomento Cultural a Blocos de Carnaval de Rua, em que cada selecionado recebe R$ 25 mil.
Procurada, a Prefeitura de SP diz em nota que “é de responsabilidade dos organizadores de blocos se viabilizarem economicamente para a festa por meio de patrocínio”.
“Vale destacar que neste ano o número de blocos confirmados é recorde (627). A infraestrutura está projetada para atender integralmente, como em anos anteriores, à realização do maior Carnaval do Brasil. A gestão organizou uma operação integrada, envolvendo áreas como limpeza, segurança urbana, transporte, saúde, cultura, turismo e direitos humanos. Serão 58 mil agentes de segurança, 3.900 agentes de limpeza, além de profissionais envolvidos na operação de trânsito e saúde, entre outras ações”, afirma o governo municipal.
com DIEGO ALEJANDRO, KARINA MATIAS e VICTÓRIA CÓCOLO
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