Em relatório divulgado na segunda-feira (9), o banco UBS avalia que o Brasil é um dos países emergentes menos vulneráveis à crise energética atual, que levou o preço do petróleo a ultrapassar os US$ 100 por barril após o início dos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã.
Autossuficiente na produção de petróleo e com menor dependência de combustíveis fósseis para a geração de energia, o país é “mais bem isolado do que a maioria” dos emergentes, diz o texto, assinado por 12 analistas de diversas partes do mundo.
Eles criaram um índice de vulnerabilidade, que considera indicadores como importância do petróleo na matriz energética, saldo comercial do setor de óleo e gás, vulnerabilidades fiscal e à inflação e sensibilidade do PIB (Produto Interno Bruto) ao preço do petróleo, entre outros.
O Brasil aparece na sétima posição em uma lista de 20 países emergentes de todos os continentes. Os três mais vulneráveis são Polônia, Turquia e Coreia do Sul. Os três menos, República Tcheca, Malásia e Indonésia.
“O Brasil, a Colômbia e a Malásia são os que mais se beneficiam entre os grandes mercados de um aumento sustentado de US$ 20 por barril nos preços globais de petróleo e gás”, diz o texto. O banco calcula que o PIB brasileiro ganha 20 pontos base a cada 10% de aumento nas cotações internacionais.
O relatório destaca que 44% da energia primária consumida no país vem do petróleo e do gás natural, um dos menores patamares entre todos os países pesquisados. Apenas grandes consumidores de carvão, como China, Índia e África do Sul, têm dependência menor.
Países dependentes de importações de petróleo e gás, como os três primeiros do ranking, terão mais dificuldades para lidar com a escalada dos preços após o conflito.
Nesta segunda (9), a cotação do petróleo Brent, principal referência global de preços, chegou perto dos US$ 120 por barril durante o pregão, atingindo patamares vistos pela última vez em 2022. Depois, caiu para cerca de US$ 90, valor ainda bem superior ao de antes da guerra.
Os analistas do UBS dizem que o fechamento do estreito de Hormuz gera impactos não lineares nos países emergentes, que devem aumentar com a esperada redução dos estoques globais de petróleo e com congestionamentos nos portos.
“As atuais interrupções no fornecimento, se sustentadas, podem ser vistas mais como um choque de crescimento do que como um choque puramente inflacionário”, diz o texto. “Se o estreito não for aberto rapidamente, as ameaças tanto à produção quanto à inflação devem aumentar”.
O relatório destaca que o mercado de ações brasileiro é mais isolado da crise, com a Petrobras sob menos riscos de sentir efeitos de disrupções na produção de petróleo. Entre os 20 emergentes pesquisados, é um dos únicos três em que a bolsa vale hoje mais do que antes da guerra na Ucrânia.