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BRB: Master enviou R$ 8 mi para associações da Bahia – 11/04/2026 – Economia

by Silas Câmara

Duas associações de servidores da Bahia que teriam dado origem às carteiras falsas de crédito repassadas pelo Banco Master ao BRB (Banco de Brasília) receberam, juntas, cerca de R$ 8,2 milhões em pagamentos da instituição de Daniel Vorcaro entre 2022 e 2025, segundo dados da Receita Federal.

Os pagamentos constam nas DIRFs (Declarações do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte) do Master, entregues pelo Fisco à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, do Senado, e obtidas pela Folha.

A Asseba (Associação dos Servidores da Saúde Afins da Administração Direta do Estado da Bahia) e a Asteba (Associação dos Servidores Técnico-Administrativos e Afins do Estado da Bahia) foram alvo de busca e apreensão na primeira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, em novembro do ano passado.

A Polícia Federal afirma que elas foram criadas e são controladas por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. O empresário baiano chegou a ser preso em novembro, mas foi solto e está com tornozeleira eletrônica.

Os dados enviados pela Receita Federal indicam que a Asteba recebeu pagamentos do Master nos últimos três anos: R$ 1,63 milhão em 2025, R$ 2,99 milhões em 2024 e R$ 1,33 milhão em 2023, totalizando R$ 5,95 milhões.

Já a Asseba recebeu cerca de R$ 2,3 milhões ao todo: R$ 553 mil em 2025, R$ 1,2 milhão em 2024 e R$ 533 mil em 2022. Não há registros no ano de 2023.

Segundo o código do Fisco, os repasses de 2025 seriam decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa feitas pelas associações no Master. As declarações anteriores, de 2024 a 2022, não detalham o motivo das transferências —apenas a quantia e o valor do imposto retido na fonte.

A Folha tentou contato com as duas associações por email, na noite de quinta (9), e por ligação e mensagem via WhatsApp na tarde desta sexta (10). Uma funcionária da Asseba, que se identificou como Rebeca, atendeu a ligação e afirmou que o setor responsável não estava disponível. “Não tem nenhum diretor presente”, disse.

Questionada sobre um email para contato, ela disse que ia checar e desligou. Na segunda ligação, uma funcionária chamada Luana atendeu, mas desligou quando a reportagem se identificou.

A presidente da Asseba, Maria Helena Santos Ferreira, também foi procurada por mensagem, ligação e email, mas não houve resposta. A defesa da associação não foi localizada.

Na Asteba, uma funcionária que se identificou como Gabriela disse, por telefone, que o número disponível no site da instituição era apenas para atender os associados e que ela não poderia redirecionar para um superior ou outro setor da associação. Afirmou também que o contato deveria ser feito exclusivamente por email, mas disse que não saberia dizer qual.

A presidente da Asteba, Nanci Maria Prates Pereira, foi procurada por email, telefone e mensagem via WhatsApp, mas também não respondeu. A defesa de Lima foi procurada, mas não quis se manifestar.

Na representação que embasou a primeira fase da Operação Compliance Zero, a PF afirmou que o ex-sócio de Vorcaro é procurador da Asteba e da Asseba perante instituições financeiras, com poderes para movimentar recursos.

Além disso, as duas associações informaram à Receita Federal o telefone e o email do grupo empresarial de Lima, o Terra Firme, como mostrou o Painel. A PF também ressaltou que a Asseba e a Terra Firme compartilham o mesmo telefone de contato perante o Fisco.

O MPF (Ministério Público Federal) identificou que os descontos realizados nos contracheques do estado são referentes a mensalidades e serviços associativos de baixo valor e jamais poderiam ter gerado R$ 6,7 bilhões em carteiras de empréstimos consignados (além de R$ 5,5 bilhões em prêmios, o valor que supostamente a carteira valeria, mais um bônus).

“Por serem controladas por Augusto Lima, a Asteba e Asseba foram utilizadas pelo Banco Master, em ofício dirigido ao BCB [Banco Central do Brasil], de 25/03/2025, como originadoras dos créditos vendidos ao BRB”, disse a PF no documento.

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