O BRB (Banco de Brasília) acertou com o Banco Central que só vai publicar o balanço de resultados de 2025 após a conclusão do aporte de capital para cobrir perdas causadas por empréstimos comprados do Banco Master.
A estratégia visa evitar que a divulgação do balanço — que refletiria o impacto da operação — provoque uma crise de confiança no banco do Distrito Federal. Essa é uma das preocupações atuais do Banco Central, órgão regulador do sistema bancário brasileiro.
O BRB marcou para o dia 18 de março a realização de uma assembleia geral de acionistas para aprovar as medidas de reforço no aporte de capital.
“Vou publicar o balanço com a solução”, disse à Folha o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza. O documento só será divulgado nos últimos dias de março, o que já foi acordado com o BC, segundo o executivo.
O BRB tem hoje um cardápio de três medidas para a injeção de recursos no caixa do banco: a venda de cotas de um fundo imobiliário no valor de R$ 6,17 bilhões; de uma fatia de 49% da subsidiária BRB Financeira (cerca de R$ 1 bilhão); e a recompra de letras financeiras por R$ 3,8 bilhões.
“O único menu que não existe dentro do BRB é a pauta da federalização e da privatização. Se por acaso vier a ter essa pauta, não será comigo na presidência do banco”, afirmou Souza. Na última segunda, ele passou quase 12 horas explicando aos deputados da Câmara Legislativa do DF, em reunião fechada, a necessidade de aprovar o projeto que permite a capitalização do banco. O texto foi aprovado na casa.
O banco também espera recuperar de R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões de recursos das carteiras de crédito do Banco Master que foram cedidas à instituição do DF. O repasse dos fluxos financeiros está travado por conta da liquidação do Master, decretada pelo BC em novembro do ano passado. O BRB acionou o STF (Supremo Tribunal Federal) para que o liquidante do Master libere esses recursos.
Souza afirma que já tem três bancos (entre públicos e privados) com oferta firme para comprar cotas do fundo imobiliário formado com imóveis do governo do DF. “São bancos de S1 [designação dada pelo BC para os grandes bancos] do mercado financeiro”, disse.
O governo do DF vai colocar os imóveis no fundo e os bancos podem comprar as cotas, estimadas em R$ 6,17 bilhões.
O banco ainda teria um terreno ao lado do shopping Cidade Jardim, em São Paulo, que pelos cálculos de Souza valeria R$ 4 bilhões.
PONTE PARA PRIVATIZAÇÃO
Agentes do setor bancário consideram que é preciso encontrar uma solução de mercado, no curto prazo, para a situação enfrentada pelo BRB.
Os banqueiros estão empenhados numa saída por meio de um consórcio de bancos e pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Esse socorro emergencial ao banco controlado do governo do Distrito Federal, no entanto, é tratado por alguns integrantes desse grupo como uma “ponte” para uma privatização ou federalização do BRB no futuro.
Há uma preocupação no setor bancário e do BC com o risco de a situação do BRB se deteriorar.
O BRB tem até o dia 31 de março para publicar seus demonstrativos financeiros de 2025 sob risco de sofrer sanções do Banco Central.
Se o BRB não cumprir as obrigações determinadas pelo regulador, o BC pode tomar medidas como limitar ou suspender o aumento da remuneração dos administradores, exploração de novas linhas de negócios, abertura de novas dependências e alienação de ativos.
A demora do governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), em encaminhar uma solução viável para a crise tem causado desconforto entre agentes do mercado. A avaliação é que o tempo da política é diferente da urgência do BRB para sair da crise.
Ibaneis já afirmou que vai se afastar do cargo no dia 28 de março para se candidatar nas próximas eleições.
Procurado, Ibaneis não respondeu o pedido de informações até a publicação desta reportagem.
Como mostrou a Folha, o governo do DF fechou o ano de 2025 com um rombo de R$ 1 bilhão em seu caixa, um quadro de fragilidade que agora dificulta a injeção de recursos no BRB, o que torna inevitável a necessidade de ajuda da União para resolver o problema, segundo executivos do setor.
Após a publicação da reportagem, a ministra Gleisi Hoffmann postou mensagem nas suas redes sociais negando ajuda do governo federal para salvar o BRB.