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Bryan Adams mostra vigor na voz com plateia fiel em SP – 08/03/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

Um artista experiente, com cinco décadas de carreira, Bryan Adams ainda parece elegante e em ótima forma aos 66 anos. No palco, está cheio de vigor. Com um catálogo que serviu de trilha sonora para muitos amores adolescentes, o canadense é bom no que faz. E mostrou isso no Vibra São Paulo, na noite de sábado (7).

Em sua quarta passagem pelo Brasil, com apresentações também no Rio de Janeiro e em Curitiba, ele veio sem a mesma grandiosidade da visita anterior, em 2019, quando cantou no Allianz Parque paulistano lotado. Mas a fidelidade dos fãs segue intensa. Adams encontrou uma plateia predominantemente madura, com seus hits na ponta da língua, até mesmo os mais recentes.

Ele vem divulgando seu décimo nono álbum, “Roll with the Punches”, lançado em agosto do ano passado. Com algumas canções dessa leva agregadas ao repertório do show, mais uma vez se repete um fenômeno recorrente em sua relação com a plateia.

Embora ele crie rocks sólidos, músicas bem sustentadas por guitarras nervosas e com uma pegada semelhante àquilo que se convencionou chamar de rock de arena, é nas baladas que a conexão com os fãs parece mesmo poderosa.

Adams abriu o show com um set acústico, apenas sua voz e seu violão. Mas não no palco. Ele surgiu em uma pequena plataforma, no meio da plateia. Logo de cara ele exibiu um ar descontraído, como se estivesse numa sala de estar, cantando para meia dúzia de amigos.

Além de surpreender o público ao quebrar a expectativa de uma abertura bombástica no palco, esse punhado de canções intimistas serviu também para responder a uma dúvida que acompanha os roqueiros sessentões e setentões: a voz continua a mesma?

A resposta é sim, e no caso dele essa preocupação é primordial, pois Adams surgiu nas rádios nos anos 1980 impressionando o público com uma voz rouca. A ponto de, quando emplacou as primeiras canções na programação das emissoras, muita gente pensou se tratar de novas músicas de Rod Stewart, o rei da rouquidão no rock. O registro vocal de Adams envelheceu bem, e ele segura duas horas de show com aparente segurança.

Quando a banda ganha seu espaço no palco, começa uma demonstração evidente de entrosamento. Seus músicos são veteranos, a maioria ao seu lado há décadas. E eles têm destaques em solos: o guitarrista Keith Scott, o baterista Pat Steward e o tecladista Gary Bent. A química mais poderosa é com Scott. É a participação desse escudeiro que muitas vezes faz a diferença.

O cantor levou ao Vibra Brasil todo o aparato tecnológico dos shows em estádios, incluindo um enorme balão prateado em forma de luva de boxe, que pairou sobre o público durante a canção “Roll with the Punches”, e outro balão veio depois, em formato de um carro.

Há um refinamento de imagens muito atraente, no cenário e no telão, com vários clipes criados especialmente para a turnê. Adams tem uma carreira paralela como fotógrafo, e no fim de 2025 se arriscou como diretor de um especial de Natal para a TV canadense. O cuidado com o visual da turnê é evidente.

Entre as primeiras canções já com a banda em ação, Adams logo emenda “Run to You” e “Somebody”, dois grandes hits do que ainda hoje é seu melhor álbum na carreira, “Reckless”, original de 1984. Nas canções desse disco pode ser compreendido o “estilo Bryan Adams”.

Trata-se da mistura de um rock batidão, de banda de bar, com um romantismo derramado nas baladas. E, muitas vezes, esses dois figurinos sonoros se encontram na mesma canção, com baladas que vão ganhando peso durante a execução e terminam em um tom épico.

Adams é bom também costurando o repertório. Põe a plateia para dançar em “You Belong to Me”, cria um pouco de expectativa antes de detonar “Summer of ’69”, porque sabe como a música é incendiária, e faz um tributo a Tina Turner em “It’s Only Love”, faixa que gravaram juntos.

Ele brincou muito com a plateia, fez aquela manjada tentativa de conversar em um português sofrível, e conseguiu uma comunicação razoável com seus fãs. Ao fazer um curto bloco de rocks antigos, com covers de “Blue Suede Shoes” e “Twist and Shout”, ele incentivou o público a dançar, e dois cinegrafistas caminharam pela plateia e jogaram no telão as figuras mais engraçadas requebrando seus corpos. O público adorou.

Os álbuns com mais canções elencadas no show, cada um com cinco músicas, foram o consagrado “Reckless” e “18 Til I Die”, de 1996, talvez o último trabalho de Adams que foi aprovado de forma unânime por crítica e público. Ele transformou hits como “Heaven” e “Have You Ever Really Loved a Woman?” em gigantescos karaokês.

Quando a apresentação começou a chegar ao final, os hits mais pesados fizeram sua parte, como a romântica “(Everything I Do) I Do It for You”, da trilha sonora do filme “Robin Hood” (1991), e a antiga “Cuts Like a Knife” (1983), exemplo do melhor Bryan Adams com pretensões épicas.

Então, para comoção da plateia, veio “All for Love”, outra incursão dele com muito sucesso nas trilhas sonoras de Hollywood, dessa vez para “Os Três Mosqueteiros” (1993). Ele gravou essa canção com Rod Stewart e Sting, mas, para o público que deixou saciado o Vibra São Paulo, eles não fizeram falta. Bryan Adams já basta.

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