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Carolyn Bessette: ‘História de Amor’ resgata ícone fashion – 02/04/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

Com sua imagem polida e estilo minimalista, Carolyn Jeanne Bessette-Kennedy conquistou o coração dos Estados Unidos e de um dos grandes galãs dos anos 1990, John F. Kennedy Jr.

Nos últimos anos, seu nome foi resgatado como o de um ícone fashion, em meio ao estouro do “quiet luxury” e da moda minimalista, o que ajudou a alavancar a série “História de Amor: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette“, que exibiu seu último episódio na semana passada.

Na década de 1990, Bessette nadava contra a corrente dos resquícios maximalistas dos anos 1980, quando ainda era possível ver nas lojas mangas bufantes e saias cheias de tule. No meio de tantas outras subculturas, como o andrógino grunge e o glam das supermodelos, a executiva da Calvin Klein trouxe um respiro de simplicidade para o guarda-roupa de muitos, deixando um legado que reverbera quase três décadas depois.

Empurrando o pêndulo das tendências para o outro lado, Bessette era sempre vista com roupas simples, mas bem ajustadas, de tecidos nobres e modelagem elegante.

Segundo Valeka Nakad, coordenadora do curso de design de moda do Centro Universitário Belas Artes, seu papel na grife americana já tinha peso por si só. “E aí ela passa, obviamente, a influenciar porque ela vai namorar o solteirão mais cobiçado do mundo na época, que estava sempre na imprensa”, afirma.

A internet ainda engatinhava, mas celebridades estampavam as capas de revistas e jornais e eram presença constante na televisão. Apesar da exposição, a persona reservada que Bessette mantinha ao olhar popular ajudou a formar a imagem idealizada e sofisticada da publicitária de moda.

“Ela influenciou muitas pessoas nesse jeito mais ‘clean’ de se vestir, com paletas neutras, investimento numa superqualidade da matéria-prima, dos materiais. Mesmo nos acessórios, muito elegantes, seguindo o perfil de pessoas que têm muito dinheiro”, diz Nakad.

“As pessoas que já usam desde novinhas roupas de marca têm preferência por roupas mais discretas até para não chamar a atenção. Você está um pouco despercebido no cenário em que está. Ela fez o que reverberou como o minimalismo dos anos 1990.”

Apontada ao longo dos anos como um dos nomes mais reconhecíveis do chamado “quiet luxury“, termo na moda utilizado para descrever peças luxuosas que optam pela discrição em vez do glamour ostensivo, Bessette era conhecida por não mostrar logos em suas roupas. Uma das poucas marcas reconhecíveis em seu guarda-roupa era a icônica Hermès Birkin n°40.

Entre os momentos fashionistas de Bassette, um dos mais importantes é seu casamento com John F. Kennedy Jr. No Google Trends, com a adaptação da cerimônia pela série no sexto episódio de “História de Amor”, o interesse pelo vestido de noiva da protagonista cresceu a ponto de buscas pelo nome de Narciso Rodriguez, estilista e amigo próximo do casal, registrarem um pico no Brasil.

Bessete se casou com vestido simples, considerado por muitos algo inovador para a época. O modelo foi feito com crepe de seda, moldado em um decote drapeado e se estendendo de forma fluida até os pés.

O resto da composição do look foi feito com luvas translúcidas, véu ponta de dedo feito de tule de seda, sandálias de salto da Manolo Blahnik e um coque despojado preso com um grampo da sogra, Jackie Kennedy, além de seu batom vermelho assinatura.

A cerimônia discreta, presenciada por pouco mais de 40 convidados, destacou-se como um dos casamentos mais marcantes da década.

Sandra Ferraz, designer de noivas e empresária, afirma que marcas como Vera Wang, Jil Sander e Calvin Klein, presentes nos anos 1990 com sua estética minimalista, popularizaram peças simples e atemporais, como slip dresses, calças sociais e tons neutros, ajudando a imprimir a tendência na década e se apropriando do momento para difundir sua relevância e identidade.

“Eu acho que é só mais uma tendência, mas eu percebo que tem tido uma procura maior por menos tecido, mas não menos encantamento”, diz Ferraz.

Famosas como Isis Valverde e Giovanna Lancellotti trouxeram em 2025 um suspiro de minimalismo em seus vestidos de casamento, combinado ao glamour usualmente preferido pelas noivas brasileiras. Para Ferraz, a longevidade da influência do vestido de noiva de Bessette em terras nacionais não deve durar muito.

“Tem havido uma maior busca de vestidos mais secos, mas não tediosos, porque aquele vestido, para mim, é um tédio criativo.”

Apesar do sucesso da série ao resgatar a memória nostálgica do vestido de Bessette no Brasil, Ferraz acredita que “olhar para esse vestido hoje é fugir de uma identidade”. É inegável seu papel na trajetória da moda e seu marco como ponto de inspiração para vários modelos nupciais vistos nos últimos anos, mas, a longo prazo, a memória do slip dress de seda não passa de uma lembrança.

“A gente pode olhar como um conto de fadas, como uma fuga, como uma diversão. Mas quando a gente vai falar da realidade, da inspiração para as noivas, eu acho que a gente pode, sim, olhar para quem a gente é.”

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