O Grupo Casas Bahia registrou R$ 10,2 bilhões em vendas pelo crediário no último trimestre de 2025. É o maior volume da história da companhia. A marca acontece no momento em que o número de inadimplentes no país chegou a 73,7 milhões de consumidores, segundo dados do SPC Brasil, o equivalente a 44,1% da população adulta.
Para a empresa, é a retomada de uma das principais alavancas do negócio do grupo. A Casas Bahia tornou popular o carnê do crediário e o crédito próprio é um diferencial de estratégia da varejista.
A companhia atribui o resultado à presença nos mercados em que o crediário tem maior penetração e que estão dentro da estrutura logística da rede. São cerca de 1.000 lojas físicas em por volta de 500 municípios espalhados em 23 estados. Para a diretoria de Soluções Financeiras, existe o potencial de expansão na base de clientes, o que levaria ao aumento do crediário.
Vice-presidente de Operações, Fred Gauthier afirma que a capilaridade das lojas e a oferta de crédito atuaram de forma integrada. Ele também fala sobre a solidez da operação logística.
O número de vendas pelo crediário é comemorado, principalmente depois que os números do balanço de 2025, divulgados no mês passado mostraram que o prejuízo chegou a R$ 2,98 bilhões devido a um efeito não recorrente.
Em entrevista à Folha, o CEO do grupo, Renato Franklin, disse que o resultado está relacionado a uma “baixa não recorrente de ativos fiscais diferidos” no valor de R$ 1,45 bilhão. Essa baixa representa um ajuste contábil, indicando que a empresa não vai mais utilizar créditos tributários futuros, que registrava como ativos.
“O pior momento da Casas Bahia já passou”, disse ele no mês passado. “Hoje temos uma das mais baixas alavancagens do varejo“, diz ele, referindo-se ao indicador que mede o nível de endividamento de uma empresa e o quanto isso pode comprometer sua operação. A alavancagem é calculada pela relação entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização); a da Casas Bahia está em 0,4 vez. No setor, a taxa tem variado entre 2 e 3,5 vezes nos últimos anos. A do GPA, por exemplo, está em 2,4 vezes.
A Casas Bahia consultou funcionários em diferentes regiões para identificar prioridades e motivações, o que foi chamado de “Árvore dos Sonhos”, representada por murais instalados nas unidades. A pesquisa identificou que o maior desejo dos colaboradores é a casa própria. A empresa promete dar aos 15 vendedores e gerentes de melhor desempenho no último trimestre de 2025 imóveis de até R$ 200 mil cada.
Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio diz que 29,6% das famílias brasileiras têm contas em atraso e 12,6% disseram não ter condições de pagar dívidas atrasadas. Em média, 29% da renda mensal é destinada apenas ao pagamento de dívidas, o maior patamar em duas décadas.
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