Tom Pritzker, presidente do conselho de administração da rede de hotéis Hyatt, anunciou nesta segunda-feira (16) a saída do cargo e que não tentará a reeleição, citando uma associação ao empresário condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein.
“Meu trabalho e responsabilidade é proporcionar uma boa gestão. Isso é importante para mim. Uma boa gestão inclui garantir uma transição adequada na Hyatt”, disse Pritzker em um comunicado à imprensa , divulgado pela Pritzker Organization. Ele disse que decidiu deixar o cargo que ocupava desde 2004 após discussões com outros membros do conselho.
“Uma boa gestão também significa proteger a Hyatt, particularmente no contexto da minha associação com Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell, da qual me arrependo profundamente”, disse Pritzker.
O conselho de diretores nomeou Mark Hoplamazian, atual CEO da rede, para suceder Pritzker.
“Exerci um julgamento terrível ao manter contato com eles, e não há desculpa para não ter me distanciado antes”, disse Pritzker. “Condeno as ações e os danos causados por Epstein e Maxwell e sinto profunda tristeza pela dor que infligiram às suas vítimas.”
Em uma carta ao conselho citada no comunicado à imprensa, Pritzker não menciona Epstein, mas diz que completará 76 anos em junho e que está “muito confiante de que a Hyatt construiu a força e a agilidade para continuar e prosperar”.
Pritzker é o mais recente de uma série de executivos de alto escalão, políticos e outras figuras públicas forçados a lidar com a atenção pública sobre seus vínculos com Epstein —e em alguns casos uns com os outros— à medida que revelações surgem em arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA.
Sultan Ahmed bin Sulayem, presidente e CEO do gigante de logística DP World, teria trocado mensagens com o criminoso por mais de uma década após Epstein ter sido preso pela primeira vez.
Emails mostram que Epstein tentou conectar bin Sulayem e Pritzker para negociar investimentos em Dubai, e que também buscou cultivar uma relação comercial entre o executivo da DP World e Jes Staley, que na época era executivo sênior do JPMorgan Chase.
Bin Sulayem renunciou ao cargo de CEO da DP World na semana passada. Brad Karp deixou o cargo de presidente do escritório de advocacia americano Paul Weiss no início deste mês, após revelações sobre seus vínculos com Epstein. A diretora jurídica do Goldman Sachs, Kathy Ruemmler, também anunciou planos de renunciar depois que vieram à tona detalhes sobre suas ligações com o criminoso.
Entre nomes políticos que tiveram associações com Epstein, o caso do ex-embaixador britânico nos EUA Peter Mandelson continua a gerar implicações. O primeiro-ministro Keir Starmer disse nesta segunda que se recuperará após o escândalo envolvendo seu ex-enviado, que há uma semana ameaçou derrubar seu governo.
Com informações Financial Times