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CEO do BRB diz que pedirá mais R$ 4 bilhões a bancos – 31/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

Após anunciar o adiamento da publicação do balanço, o presidente do BRB (Banco de Brasília), Nelson Antônio de Souza, disse à Folha que vai pedir um empréstimo no valor de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões a um sindicato de bancos.

Esse grupo funciona como um consórcio em que várias instituições financeiras se juntam compartilhando riscos e garantias na concessão do empréstimo.

A formalização deste pedido se soma à solicitação já feita ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos), no dia 24 de março, para um empréstimo de R$ 4 bilhões para capitalizar o banco do Distrito Federal após as perdas com a compra de carteiras de crédito do Banco Master.

Segundo as investigações, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos fraudulentos do Master. Apenas uma parcela desse prejuízo foi recuperada pelo banco.

A proposta do BRB é usar os imóveis do GDF como garantia do empréstimo junto aos bancos.

Souza disse que o BRB receberá a capitalização do governo do Distrito Federal até o dia 30 de maio, antes do prazo de 180 dias dado pelo Banco Central para a conclusão do aporte de capital. O prazo termina no dia 5 de agosto. Sem se adequar às regras prudenciais, o BRB corre o risco de sofrer uma intervenção do órgão regulador.

O BRB vai pedir ao governo federal para que a Caixa Econômica Federal e outros bancos públicos federais entrem junto com as instituições financeiras privadas nesse consórcio dos bancos.

O presidente do BRB disse acreditar que a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), irá pedir ao governo Lula para viabilizar a ajuda dos bancos públicos.

“Você pode perguntar para ela, mas você quer saber o que eu acho? Sim”, disse ele ao ser questionado pela Folha se a governadora, opositora do governo Lula e aliada da ex-primeira dama Michele Bolsonaro, pedirá ao Ministério da Fazenda para que os bancos públicos participem da ajuda ao BRB.

“Se o governo federal liberar essa conversa, ela abre para o Banco do Brasil, Caixa Econômica, BNB [Banco do Nordeste] e BASA [Banco da Amazônia], abre todo mundo para nós”, disse.

Ele contou que teve uma reunião com Celina antes do anúncio ao mercado da postergação da publicação do balanço de 2025 nesta terça-feira (31), prazo legal para companhias de capital aberto. Sem a apresentação dos dados, o tamanho do rombo deixado pelas operações feitas com o Master permanece desconhecido.

O dirigente do BRB reconheceu as dificuldades devido ao ano eleitoral e afirmou que a politização do caso pode prejudicar a instituição financeira.

“Estamos num ano político, logicamente, que tudo é levado em consideração. O que a governadora disse é que ela tem que governar para todos e que para isso é preciso ter relacionamento com todos os Poderes. O Executivo Federal é um deles e que pode ajudar muito porque, se politizarmos, só quem se prejudica é o banco.”

O banco do DF também tem vendido carteiras de crédito para outros bancos para colocar recursos no seu caixa.

O BRB justificou o adiamento à necessidade de conclusão dos trabalhos da auditoria forense contratada para apuração dos eventos relacionados à operação Compliance Zero da Polícia Federal, que levou à primeira prisão de Daniel Vorcaro, dono do Master, por suspeitas de fraudes em carteiras de crédito, em novembro do ano passado. O relatório será entregue nesta terça-feira (31) e ainda terá que ser avaliado pela administração da companhia e pelo auditor independente, a Grant Thornton.

O BRB também anunciou a convocação de uma nova assembleia para o dia 22 de abril para os acionistas votarem a proposta de aumento de capital social da instituição.

No atual cenário, o banco enfrenta risco concreto de sofrer sanções mais drásticas por parte do BC, como Raet (regime de administração especial temporário), intervenção ou até liquidação extrajudicial. Por se tratar de um banco estatal, a aplicação de Raet pode abrir caminho para a privatização do BRB.

Mas souza minimizou os riscos de uma intervenção do BC no BRB. “O fato de não divulgar o balanço, não existe essa coisa de fechar o banco, de ter Raet. Não existe nada disso”, afirmou.

Segundo ele, o BC entende que, diferentemente dos outros bancos que foram liquidados do conglomerado Master e a Reag (gestora envolvida no escândalo), o único que tem ativo para sobreviver é o BRB. “Na história do Brasil, não existe nenhum banco público estadual que tenha sido liquidado”, afirmou.

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