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Chappell Roan entoa amor lésbico em culto no Lollapalooza – 21/03/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

O ar era de misticismo, no palco principal do Lollapalooza, quando a bruxa começou o ritual. Às 21h30 deste sábado (21), Chappell Roan apagou as luzes do palanque e acendeu os telões com imagens de olhos amarelos, silhuetas de dragões e um grande caldeirão. A cantora surgiu no topo do castelo cheio de torres pontudas.

Chappell Roan foi escolhida para ficar à frente do segundo dia do festival em São Paulo, que toma o Autódromo de Interlagos até este domingo (22). É o primeiro show da americana no país, com o último show da turnê dedicada ao disco que concedeu todos os poderes que ela tem hoje.

Sagrada diva pop da nova geração, Chappell Roan está mais para feiticeira mesmo. Pela janela da torre do seu castelo, erguido uma hora antes do show, ela acena para o público, e ergue uma onda de gritos que fez o ouvido doer. A apresentação começa com “Super Graphic Ultra Modern Girl”, pop radiante que faz os fãs pularem e baterem muito os leques —muito mesmo.

Tanto que chamaram a atenção dela. Mais adiante no show, antes da também efusiva “Hot to Go!”, a artista disse que soube que os leques foram acessórios obrigatórios no show de Lady Gaga na praia de Copacabana, no ano passado. Em resposta, os fãs bateram os leques —de novo.

Chappell Roan mal conversa com o público, mas se conectou imediatamente com ele. Não há espaço para muitas pausas. Ela surge, canta a faixa de abertura, emenda com “Feminenomenon”, também dançante, em que esculacha os homens e exalta as mulheres. Depois apresenta “Naked in Manhattan” e segue com a dramática “Casual”, que ganha uma performance teatral no palco. Ela usava um look de tecido verde, com pedaços de pano esvoaçantes que acentuavam a sua pose de mística.

A cantora se destaca por cantar sobre seus amores por mulheres. Lésbica, ela fala abertamente de sua sexualidade e das dores e paixões que viveu por causa dela. Na grandiosa “The Subway”, por exemplo, que fez o público se esgoelar, ela se lamenta por um namoro findado, e diz que a garota talvez vire só mais uma qualquer nas estações de metrô.

Chappell Roan está no auge. Foi eleita artista revelação do Grammy no ano passado, troféu que historicamente catapulta carreiras. Ganhou pelo álbum “The Rise and Fall of a Midwest Princess”, de 2023, o primeiro dela. Desde então, vem colhendo os louros de ter se tornado uma das cantoras mais paparicadas da indústria, elogiada por feiticeiras ainda mais experientes, como Lady Gaga, a mamãe monstro do pop.

Não é amada por todos, porém. Chappell Roan carrega a pecha de mal-humorada e impaciente por causa das broncas que dá em paparazzis e fotógrafos que torram a sua paciência —há vários vídeos desses momentos na internet. Ela causa polêmica também por não atender fãs sempre que abordada na rua —diz que preza por manter parte da sua vida privada.

Mesmo assim, o séquito se mantém fiel. Minutos antes do show, o público gritou palavrões contra o time Flamengo, porque mais cedo, neste sábado, viralizou nas redes uma publicação do jogador Jorginho Frello, em que ele diz que a filha de 11 anos, supostamente hospedada no mesmo hotel de Chappell, teria sido hostilizada pelo segurança da cantora.

Verdade ou não, Chappell Roan estava todo sorrisos no show. Disse que estava com calor, mas feliz de encerrar a turnê no país. Cantou “Coffee”, mandou um salve para as pessoas gays da plateia e disse que nosso país tem as melhores drag queens do mundo. Ela própria se considera uma.

Ela diz que aprendeu muito com a arte drag quando se mudou, mais jovem, do Missouri para Los Angeles, onde pôde exercer de forma mais livre a própria sexualidade graças à quantidade de pessoas LGBTQIA+ que conheceu por lá.

Por isso, terminou com “Good Luck, Babe!”, seu maior sucesso, que virou hino lésbico, e “Pink Pony Club”, sobre a vida como garota queer em Los Angeles. É uma ode a si mesma e à comunidade de gente deslocada que encontrou nela uma líder. Melhor, uma maga.

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