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China anuncia menor meta de PIB em décadas com consumo estagnado – 05/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

A China definiu a meta de crescimento econômico anual mais baixa em décadas, entre 4,5% e 5%, mas fundamental nos planos do país para enfrentar a estagnação do consumo e a crise do mercado imobiliário.

O regime chinês também aproveitou sua emblemática reunião política anual, conhecida como “Duas Sessões”, para anunciar um aumento de 7% no orçamento de defesa, o segundo maior do mundo, para contrabalançar os Estados Unidos e reforçar suas reivindicações sobre Taiwan e o Mar da China Meridional.

O país deve gastar 1,9 trilhão de yuans (R$ 1,4 trilhão), o que ainda é aproximadamente três vezes menos do que os recursos destinados ao mesmo setor pelos Estados Unidos.

A China é a segunda maior economia do planeta e responde por um terço do crescimento mundial, mas enfrenta graves desequilíbrios estruturais e pressões comerciais de Washington, apesar de manter exportações sólidas.

“As conquistas do ano passado foram muito difíceis de alcançar”, afirmou o primeiro-ministro, Li Qiang, ao abrir o encontro anual da APN (Assembleia Popular Nacional), o Parlamento chinês, na manhã desta quinta-feira (5).

“Poucas vezes enfrentamos um panorama tão grave e complexo, no qual crises e desafios externos se entrelaçavam com dificuldades internas e decisões políticas difíceis”, advertiu.

A meta do PIB (Produto Interno Bruto) deste ano é a menor do país desde 1991, segundo uma análise da AFP. A única exceção foi 2020, quando Pequim não estabeleceu um objetivo devido ao impacto da pandemia de Covid-19 sobre a economia.

Milhares de parlamentares e líderes de toda a China se reuniram no Grande Salão do Povo, em Pequim, para a reunião, planejada nos mínimos detalhes e supervisionada pelo líder Xi Jinping.

Eles aprovarão projetos de lei e reformas que, em grande medida, já foram decididas previamente por Xi e pelo Partido Comunista Chinês (PCC), durante uma semana do que analistas consideram um teatro político.

O Partido Comunista Chinês insiste que o modelo de crescimento econômico do país deve se afastar dos motores tradicionais, como as exportações e a manufatura, e mudar sua orientação para o consumo.

Outros “objetivos previstos para o desenvolvimento” em 2026 incluem um aumento dos preços ao consumidor de cerca de 2% e “um crescimento da renda dos residentes de acordo com o crescimento econômico”, segundo o relatório apresentado por Li.

O crescimento econômico da China registra uma desaceleração há anos, com o amadurecimento da economia.

As fortes exportações impulsionaram a economia a crescer 5% em 2025, com um superávit comercial que atingiu o valor recorde de US$ 1,2 trilhão (R$ 6,2 trilhões), apesar de uma guerra comercial com os EUA que se prolongou por meses.

Também no âmbito das “Duas Sessões”, Pequim publicou nesta quinta-feira seu projeto de 15º Plano Quinquenal, com os objetivos de desenvolvimento nacional para 2030.

O documento de 141 páginas enfatiza a reativação do consumo, o desenvolvimento da inteligência artificial e a defesa da segurança energética e do abastecimento de recursos.

A China investe massivamente em alta tecnologia, inteligência artificial e semicondutores para reforçar sua autonomia estratégica e contornar as restrições dos Estados Unidos à exportação dos chips mais avançados usados no setor de inteligência artificial.

O projeto de plano quinquenal também estabelece objetivos ambiciosos. Entre eles, duplicar o PIB por habitante até 2035 em relação a 2020, reduzir o desemprego para abaixo de 5,5% e acelerar a transição ecológica.

A adoção do projeto de plano quinquenal na próxima semana é considerada certa, já que o Parlamento chinês está, na prática, submetido ao Partido Comunista.

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