Chuck Norris, astro de filmes de ação que se consagrou como um dos principais “brucutus” de Hollywood nos anos 1980, morreu nesta sexta-feira, aos 86 anos, deixando um legado não só para o cinema, mas também para a história política dos Estados Unidos. Apesar de não ter disputado ou exercido cargos como outros colegas, a exemplo de Arnold Schwarzenegger, Norris passou a defender pautas republicanas mais fortemente a partir dos anos 2000, surfando na sua influência conquistada em décadas anteriores.
Defendeu pautas como o direito ao porte de armas, a importância do patriotismo e da religião, apoiando candidatos republicanos e fazendo doações. O cristianismo, aliás, era um dos pontos-chave da sua autobiografia “Against All Odds: My Story”, de 2004, em que detalhou a infância pobre e como sofreu as consequências do alcoolismo do pai.
Protestante, ele fez um vídeo célebre ao lado da mulher, Gena O’Kelley —sua companheira desde o fim dos anos 1990— convocando os eleitores, sobretudo evangélicos, a não votarem em Barack Obama nas eleições de 2012. “Nós não podemos mais ficar sentados quietos ou parados nos cantos assistindo nosso país ir para o caminho do socialismo ou algo muito pior”, disse.
À época, ele estrelava “Os Mercenários 2″, um longa de ação com viés nostálgico, em que ele contracenava com outras estrelas de sua geração, como Sylvester Stallone, Jean-Claude Van Damme e Bruce Willis. No vídeo, O’Kelley dizia que muitos evangélicos poderiam ter impedido a vitória de Obama em 2008 —”é estimado que 30 milhões de cristãos evangélicos ficaram em casa no dia da votação e Obama ganhou por 10 milhões de votos”, disse.
Quatro anos depois, Norris também apoiou o republicano Donald Trump nas eleições, elogiando o perfil do empresário e atual presidente dos Estados Unidos. Apesar disso, não declarou apoio público a nenhum candidato nas eleições seguintes. De qualquer forma, consolidou-se como uma figura explorada pelo universo trumpista, não raro evocando a brutalidade dos seus filmes mais célebres.
Aliás, em 2021, teve de usar as redes sociais para afirmar que não fez parte da invasão do Congresso americano, em Washington, no qual um grupo de apoiadores do presidente Donald Trump entrou em confronto com as forças de segurança que protegem o Capitólio.
“Descobri que havia um sósia de Chuck Norris nos distúrbios do Capitólio de [Washington] D.C. Não fui eu, e eu não estava lá. Não há espaço para violência de qualquer tipo em nossa sociedade. Eu sou e sempre serei pela lei e ordem”, escreveu no Twitter.
Astro de longas como “Braddock: O Super Comando”, seu trabalho ficou marcado no Brasil pela voz do dublador José Santana, morto em 2025.