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Chuck Norris defendeu os EUA na base da porrada no cinema – 20/03/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

Comunistas, terroristas e traficantes de drogas dormem mais tranquilos, nesta sexta-feira. Morreu Chuck Norris, o carateca brutamontes que os combateu por quase 50 anos em filmes péssimos, mas que levaram multidões aos cinemas em todo o mundo.

Norris era instrutor de artes marciais para filmes de Hollywood quando, incentivado por amigos como Bruce Lee e Steve McQueen, resolveu se arriscar na frente das câmeras. Fez imenso sucesso nos anos 1980, especialmente depois de assinar um longo contrato com a Cannon Films, produtora chefiada pelos israelenses Menahem Golan e Yoran Globus —que ficaram bilionários fazendo filmes de ação com a mesma fórmula.

Sempre um herói musculoso enfrentava vilões e meliantes em geral que simbolizavam os maiores “adversários” dos Estados Unidos nos anos 1980 da Guerra Fria e do ápice dos cartéis de drogas latino-americanos.

Chuck Norris não escolhia adversários. Meteu a porrada em terroristas ninjas —em “Octagon: Escola para Assassinos”, de 1980—, em gângsteres chineses —”O Ajuste de Contas”, em 1981—, num assassino psicopata “indestrutível” criado numa experiência genética —”Fúria Silenciosa”, em 1982, um filme que trazia no cartaz a inesquecível frase “a ciência o criou. agora Chuck Norris precisa destruí-lo”— e bandidos mexicanos, em “McQuade, o Lobo Solitário”, de 1983.

Tudo isso antes de estrelar um de seus personagens icônicos, o Coronel Braddock de “Braddock: o Super Comando”, de 1984, um militar americano que passou anos horripilantes como prisioneiro durante a Guerra do Vietnã e retorna à Ásia, dez anos depois, para distribuir sopapos e resgatar companheiros que ainda estavam presos.

“Braddock” teve duas sequências, em 1985 e 1988, cada uma pior e mais exagerada que a anterior —o terceiro tem Norris voltando ao Vietnã para resgatar a esposa que ele achava que havia morrido e um filho que ele nem sabia que tinha. Mas a franquia é importante por marcar uma guinada “política” nos filmes do ator. A partir dali, a missão da vida de Chuck Norris foi defender o Tio Sam.

Em “Invasão USA”, de 1985, ele enfrenta um grupo de mercenários cubanos que são o pacote completo: além de comunistas, são traficantes de cocaína e se reportam a um ex-líder da KGB, papel de Richard Lynch.

No ano seguinte, Norris se juntou a Lee Marvin para exterminar um grupo de sequestradores árabes em “Comando Delta” —outra franquia que teve duas sequências, uma em que Norris vai à Colômbia detonar os cartéis e outra tão ruim que nem é estrelada por ele, mas pelo filho, Mike Norris.

Chuck Norris fez parte de uma geração de astros dos filmes de ação que dominou o cinema nos anos 1970 e 1980 com pesos-pesados como Charles Bronson, Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger. Os filmes dessa turma lidavam com os maiores medos dos norte-americanos naquele período.

Na linha anticomunista, Bronson estrelou o “thriller” “Telefone”, de 1977, enquanto o Rocky Balboa de Sylvester Stallone enfrentou o sádico boxeador russo Ivan Drago —Dolph Lundgren— em “Rocky 4”, de 1985. E Schwarzenegger fez um tira às voltas com um traficante soviético em “Inferno Vermelho”, de 1988.

A violência urbana e o aumento do uso de cocaína nos Estados Unidos nos anos 1980 provocaram uma enxurrada de filmes de justiceiros estrelados por essa turma —Bronson eternizou a figura do cidadão de bem que explode e resolve fazer justiça com as próprias mãos na franquia “Desejo de Matar”, enquanto Schwarzenegger enfrentava mafiosos em “Jogo Bruto”, de 1986, e Stallone interpretava um matador tão barra pesada em “Cobra”, que cortava pizzas com uma tesoura. A sala de cinema, sempre lotada, aplaudia.

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