Felizmente tem crescido no país a conscientização sobre a necessidade da criação de programas e ações que objetivem erradicar a violência contra as mulheres de nossa sociedade, embora esta seja uma reação à onda de crimes que têm sido praticados contra elas de forma crescente.
Entretanto, é necessário e urgente que a vida das mulheres nos ambientes urbanos, de uma forma geral, seja reavaliada.
Embora as oportunidades oferecidas pelas cidades representem uma plataforma de emancipação para milhões de mulheres em todo o mundo, elas ainda são concebidas em torno dos homens.
Quando o planejamento urbano não considera adequadamente a equidade social e a diversidade, a vida nas cidades pode ampliar as disparidades entre os diferentes grupos da sociedade, em especial os mais vulneráveis. Dentre esses grupos mais vulneráveis podem ser enquadradas as mulheres, tanto em contextos urbanos mais ricos como naqueles socioeconomicamente desfavorecidos, em todo o mundo.
O ambiente construído é uma determinante chave da condição e experiência da vida das mulheres nas cidades. A forma como os ambientes urbanos são concebidos, construídos, governados e mantidos afeta direta e objetivamente a qualidade de vida delas.
A estruturação das soluções para esse enorme desafio envolve a definição de estratégias e intervenções espaciais que possam contribuir para tornar o ambiente urbano mais seguro, mais inclusivo, estimulante e equitativo, para que as mulheres possam viver, trabalhar, se divertir e prosperar.
Relatório produzido a partir de uma parceria da ONU (Organização das Nações Unidas) com a Universidade de Liverpool, na Inglaterra, aponta as áreas temáticas principais que podem ser utilizadas para influenciar a forma como as cidades são concebidas para serem mais inclusivas e acolhedoras para as mulheres: segurança e proteção; saúde e bem-estar; justiça e equidade; enriquecimento e realização pessoal.
As cidades que incorporam segurança e proteção em todos os sistemas urbanos com projetos adequados melhoram as experiências e os movimentos das mulheres dentro dos espaços e ajudam a promover seu bem-estar físico e mental. Melhorar a iluminação e a facilidade de circulação, bem como a criação de espaços polivalentes e multigeracionais, podem tornar as cidades mais seguras e acessíveis.
Embora os aspectos da governança da cidade sejam definidos localmente, as responsabilidades legais fundamentais são definidas principalmente em nível central. Quando os direitos de gênero estão consagrados em legislação federal, torna-se mais fácil para as autoridades municipais adotarem o quadro jurídico e os requisitos necessários para prosseguir com os objetivos de igualdade de gênero.
As cidades que proporcionam espaços de alta qualidade e inclusivos do ponto de vista feminino, como parques, jardins e áreas infantis bem estruturadas, ajudam a aliviar o estresse, além de incentivar o exercício e estilos de vida ativos.
A crise global da habitação também é uma questão relacionada às mulheres. Abrigos seguros, habitação social e lares de cuidados acessíveis proporcionam um forte apoio às mulheres e melhoram a sua saúde e bem-estar. A redução da solidão derivada de um alojamento adequado beneficia especialmente as mulheres com deficiência, idosas e vulneráveis.
Não menos importantes são os locais de trabalho e as instalações educativas que consideram as necessidades específicas das mulheres e ajudam a combater os estereótipos baseados no gênero. Permitem que as mulheres tenham igualdade de acesso ao emprego e à educação, o que, por sua vez, proporciona às cidades uma força de trabalho maior e mais qualificada, aumentando a produtividade.
Um programa exitoso para criação de um ambiente urbano inclusivo do ponto de vista feminino deve ser precedido de planejamento e implementação cuidadosamente estruturados e, obrigatoriamente, seguidos por modelos de monitoramento e avaliação permanentes.
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