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Cinco filmes esquecidos pelo Oscar para ver no streaming – 19/03/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

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No último domingo (15), finalmente chegou ao fim a longa caminhada dos filmes da temporada 2025 rumo ao Oscar. Para quem acompanha esse tipo de coisa (culpada!) foram meses e meses falando e pensando em “Pecadores” (HBO Max), que estreou em abril passado nos cinemas, e ainda mais tempo pesando as possibilidades de “Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria” (Telecine), que deu as caras pela primeira vez no Festival de Sundance, em janeiro de 2025.

Como não poderia deixar de ser, dezenas de filmes ficaram pelo caminho —apenas 35 longas receberam alguma indicação na edição mais recente do Oscar, incluindo os documentários.

Vários desses títulos já podem ser vistos sob demanda (não deixe de assistir a “O Testamento de Ann Lee” nos cinemas, se puder), e não é só porque não chegaram às listas finais do Oscar que não valem a pena, nem que seja só para ver alguém tentando muito ser premiado.

A seguir, listo cinco já disponíveis no streaming —e prometo que agora paro de falar do assunto (até a próxima temporada).

Hedda

Prime Video. 107 min.

Adaptação levemente modernizada de uma das mais importantes peças de teatro do século 19, escrita e dirigida pela ascendente Nia da Costa (“Extermínio: O Templo dos Ossos”), se fosse um pouco mais forte poderia ter recebido atenção em direção de arte, figurinos e, principalmente, para Nina Hoss.

A alemã, que interpreta Eileen, uma versão feminina de Eilert Lövborg, ex-amante de Hedda Gabler (Tessa Thompson), está excelente —não que isso seja inusual— e seria perfeitamente merecedora de uma indicação a melhor atriz coadjuvante. Thompson, por sua vez, continua o bom trabalho que vem fazendo quando está livre dos filmes da Marvel —indico vê-la também em “Identidade” (“Passing”, 2021, Netflix), outro que bateu na trave.

Jayne Mansfield, Minha Mãe

My Mom Jayne. HBO Max, 106 min.

Um documentário com estreia no Festival de Cannes, dirigido por uma estrela e sobre outra estrela, pode parecer isca de prêmios, mas não foi bem assim. O braço de documentaristas da Ampas (Academy of Motion Pictures Arts and Sciences, responsável pelo Oscar) não tem gostado de filmes sobre famosos.

A história contada pela diretora Mariska Hargitay —a eterna Olivia Benson de “Law & Order: SVU”—, porém, vale ser vista pelo esmero, a delicadeza e a vulnerabilidade apresentados.

Hargitay revisita memórias de família para revelar mais de quem foi sua mãe, Jayne Mansfield, adorada e destratada por Hollywood e morta em um acidente de carro em 1967. Meu amigo Andre Marcondes escreveu lindamente sobre o filme aqui.

A Casa de Dinamite

A House of Dynamite. Netflix, 112 min.

Quase 20 anos depois dos triunfos de “Guerra ao Terror” (2008), vencedor do Oscar de melhor filme e melhor direção, e quase dez anos depois do desastre de “Detroit em Rebelião” (2017), Kathryn Bigelow ressurgiu em Veneza com este filme.

Só o nome da diretora já bastava para o longa ter “Oscar buzz”, gerar burburinho. O elenco de peso também contribuiu bastante: Rebecca Ferguson, Idris Elba, Greta Lee, Tracy Letts, Jared Harris, entre muitos outros. E o tema, claro, mexe com os brios de muita gente, nos tempos belicosos de Donald Trump: um míssil nuclear está a caminho de uma grande cidade americana, com origem desconhecida, e os diferentes braços do governo dos EUA precisam decidir o que fazer em 20 minutos.

Infelizmente, a estrutura da narrativa, contada em três ângulos diferentes, deixa o filme tanto repetitivo quanto incompleto, e a tentativa de abraçar tanta história dá pouco espaço para os atores se destacarem.

A Única Saída

No Other Choice. Mubi, 139 min.

Desde o lançamento de “A Criada” (2016), o sul-coreano Park Chan-wook é visto se aproximando do Oscar e de uma aclamação mais ampla do Ocidente. Seus dois longas seguintes, “Decisão de Partir” (2022) e este, “A Única Saída”, chegaram à lista de semifinalistas na categoria de melhor filme internacional, mas nenhum dos dois alcançou a indicação, para a decepção de seus muitos fãs.

Em “A Única Saída”, Lee Byung-hun, astro de “Round 6” (Netflix), interpreta um homem que, após perder o emprego, decide que a melhor maneira de conseguir um novo é eliminar seus concorrentes. O filme recebeu dezenas de indicações e prêmios, mas não o grandão.

Depois da Caçada

After the Hunt. Prime Video, 139 min.

“Me Chame Pelo Seu Nome” (2017) colocou o diretor italiano Luca Guadagnino firmemente no radar do Oscar, mas desde então as coisas têm sido um pouco mais difíceis.

“Suspiria” (2018) e “Até os Ossos” (2022) eram extremos demais —mais voltados ao horror— para o gosto médio da Academia, mas que “Rivais” (2024) não tenha sido indicado nem mesmo por sua trilha sonora, assinada pelos multipremiados Trent Reznor e Atticus Ross, foi surpreendente e decepcionante. (Quanto menos for dito sobre o chatíssimo “Queer”, também de 2024, melhor).

Com “Depois da Caçada”, o italiano resolveu ir atrás de polêmica, abordando o movimento #MeToo e até imitando a fonte usada por Woody Allen em seus filmes, mas essa cutucada na onça não rendeu grandes resultados.

Outro fator importante para o burburinho pré-Oscar é a presença de Julia Roberts, que sempre que sair de casa para fazer algo sério vai gerar alguma expectativa, mas a recepção chocha do filme acabou por enterrar qualquer chance de uma quarta indicação ou segunda vitória da atriz.

Menções honrosas

“Jay Kelly” (Netflix); “Seymour Hersh: Em Busca da Verdade” (Netflix); “Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out” (Netflix); “Morra, Amor” (Mubi); “O Bom Bandido” (Prime Video); “Sorry, Baby” (estreia no Telecine em 31.mar); “Springsteen: Salve-me do Desconhecido” (Disney+); “Wicked: Parte 2” (aluguel Prime Video e iTunes); “Balada de Um Jogador” (Netflix).

O que está chegando

As novidades nas principais plataformas de streaming

Mulheres Imperfeitas

Imperfect Women. AppleTV. Oito episódios.

Ellie (Kerry Washington) e Mary (Elisabeth Moss) tentam entender as circunstâncias da morte suspeita de Nancy (Kate Mara), sua melhor amiga desde a faculdade, neste thriller adaptado de um livro de Araminta Hall. Infelizmente, os diálogos não são muito interessantes, e as intrigas, meio repeteco, nos cinco episódios que já vi (dois já estrearam).

Um dia Moss se desprenderá dessa sina de séries sobre mulheres em sofrimento e voltará a fazer coisas interessantes, mas esse dia ainda não chegou —quem sabe no filme que Wagner Moura vai dirigir.

Emergência Radioativa

Netflix, cinco episódios.

Minissérie nacional sobre o desastre do césio-137, em Goiânia, em que o descarte irregular de equipamento hospitalar com material radioativo levou à morte de quatro pessoas. Estrelada por Johnny Massaro e Paulo Gorgulho, com direção de Fernando Coimbra e Iberê Carvalho.

Meu Sonho Americano (2023)

National Anthem. Looke, 99 min.

Dylan (Charlie Plummer) arranja emprego trabalhando num rancho povoado por uma vibrante comunidade queer, o que o leva a descobrir muitas coisas sobre si mesmo.

Os Fuzis (1964)

Chega ao Itaú Cultural Play, 84 min.

Vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim. Um batalhão do Exército é enviado a uma cidadezinha na caatinga para impedir que um armazém seja saqueado pelo povo faminto. Um caminhoneiro se vê dividido entre a amizade com os soldados e a revolta com a inação do Estado diante da fome.

Coleção Frederick Wiseman

Mubi, nesta sexta (20).

A Mubi oferece, a partir desta sexta, sete documentários do mestre Frederick Wiseman, morto em fevereiro, aos 96 anos, e conhecido por seu trabalho atento e paciente, voltado a problemas sociais e às instituições e estruturas que nos cercam.

Os filmes selecionados são: “O Armazém” (1983); “Law and Order” (1969); “Aspen” (1991); “Model” (1981); “Em Berkeley” (2013); “In Jackson Heights” (2015) e “City Hall” (2020).

Veja antes que seja tarde

Uma dica de filme ou série que sairá em breve das plataformas de streaming

Trama Fantasma (2017)

Phantom Thread. Disponível na Mubi até 31.mar. Também disponível no Telecine, 131 min.

Do agora vencedor do Oscar de melhor diretor Paul Thomas Anderson, o filme traz Daniel Day Lewis como Reynolds Woodcock, um estilista renomado e rigoroso que começa um relacionamento com Alma (Vicky Krieps), uma garçonete que se torna sua musa.

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