Com cenas que remetem aos k-dramas, como uma cena de entrosamento do casal protagonista em câmera lenta, e trilha sonora carregada de K-pop, a série americana “Com Carinho, Kitty” chega à terceira temporada mergulhada em referências da cultura sul-coreana.
A produção da Netflix conquistou o público ao explorar esse universo e se firmou como sucesso de audiência na plataforma, alcançando o segundo lugar entre as produções mais vistas à época do lançamento da segunda temporada.
A produção é um spin-off da trilogia de livros e filmes “Para Todos os Garotos que já Amei”, criada pela autora americana Jenny Han, conhecida por obras voltadas ao público infantojuvenil, como “O Verão que Mudou a Minha Vida“.
A trama acompanha a adolescente Kitty Covey, que deixa os EUA para estudar em Seul com o objetivo de se aproximar do namorado que mora lá e também de suas raízes familiares, já que sua mãe, que morreu, era coreana.
A premissa se sustenta nos dramas adolescentes que movem a história, como o primeiro amor frustrado e uma protagonista que ainda tenta entender o que quer da vida.
Ao mesmo tempo, embora seja uma produção americana, a série se apoia no sucesso global da cultura coreana para dialogar com o público. A própria Netflix tem investido cada vez mais em produções desse nicho, como “Guerreiras do K-pop“, que foi um sucesso com o hit “Golden” e venceu prêmios como o Grammy, o Oscar e o Globo de Ouro.
“As pessoas ficam animadas em ver isso, e é legal abraçar elementos que nem sempre temos ou vemos na TV americana”, afirma Anna Cathcart, intérprete de Kitty, em entrevista por chamada de vídeo.
A produção também funciona como uma vitrine da Coreia do Sul, ao mostrar aspectos culturais e cenários turísticos, como a N Seoul Tower, famosa pelos cadeados do amor, além de tradições locais, como o festival Chuseok.
Por outro lado, assim como ocorre em outras produções ambientadas no exterior —como “Emily em Paris“, alvo de críticas na França por retratar a capital de forma estereotipada—, a série recorre a alguns clichês, como a avó coreana conservadora e a rigidez do ambiente escolar.
Segundo Cathcart, porém, houve uma preocupação dos roteiristas em tratar a cultura oriental com respeito, justamente para evitar esse tipo de crítica.
“Queríamos fazer tudo de maneira respeitosa, valorizando uma cultura que a personagem principal não conhece profundamente. A série mostra alguém vindo dos Estados Unidos e descobrindo a cultura coreana como ela é em Seul, incluindo tradições locais. Isso foi pensado desde o início”, diz a atriz, que também conta ter tido pouco contato com o país antes das gravações.
A nova temporada despertou a curiosidade dos fãs ao confirmar a participação da personagem Lara Jean, irmã de Kitty e protagonista dos filmes que deram origem à série. “Um dos meus momentos favoritos foi poder contracenar novamente com a Lana [Condor] e reconstruir a relação das irmãs na tela”, afirma Cathcart.
Ao mesmo tempo, os novos episódios devem explorar o destino do casal formado por Kitty e Min Ho Moon, personagem de Sang Heon Lee. Os dois vivem uma dinâmica de “enemies to lovers” —de inimigos a amantes—, recurso muito comum nos K-dramas e que ajuda a manter o interesse do público ao longo da temporada.