Home » Como o ano eleitoral influencia os investimentos? Entenda – 29/03/2026 – Economia

Como o ano eleitoral influencia os investimentos? Entenda – 29/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

Períodos eleitorais costumam agitar os mercados. Dólar, juros e ações ficam mais sensíveis às notícias, e muitos investidores sentem a necessidade de reorganizar a carteira a cada nova pesquisa. A recomendação dos especialistas, no entanto, é olhar para indicadores econômicos estruturais, principalmente o cenário fiscal, e evitar decisões precipitadas baseadas apenas no noticiário político.

Para Luccas Fiorelli, planejador financeiro CFP pela Planejar, a análise do investidor deve começar pelas contas públicas, que mostram a capacidade do país de organizar suas finanças ao longo do tempo. Indicadores como resultado primário, nível da dívida pública e credibilidade das regras fiscais ajudam a entender até onde o governo pode ampliar gastos sem comprometer o equilíbrio financeiro.

“Olhar para esses pontos costuma trazer mais clareza do que reagir a promessas. A situação fiscal, o comportamento da dívida e a confiança nas regras orçamentárias ajudam a entender o cenário e dão sinais sobre a direção econômica”, afirma.

As expectativas de inflação e as decisões sobre juros também devem entrar nessa avaliação. Quando as projeções de inflação sobem, o crédito tende a ficar mais caro e a economia perde ritmo.

Por isso, além dos discursos de campanha, Fiorelli recomenda atenção aos sinais sobre a capacidade de cada candidato de implementar seus planos, o que ajuda a antecipar como a economia pode se comportar depois da eleição.

Ainda assim, a incerteza política costuma levar parte dos investidores a rever o perfil de risco de forma precipitada. Para o especialista, esse tipo de ajuste só faz sentido diante de mudanças reais na vida financeira, como alteração de renda, prazo ou objetivos.

“O erro mais comum é achar que movimentações de curto prazo são definitivas e vender depois de quedas, transformando perdas temporárias em prejuízos reais”, diz.

Estudo do Monitor do Mercado mostra que, nos seis meses que antecedem a eleição, a Bolsa tende a apresentar desempenho mais fraco, porque a incerteza aumenta. Nos seis meses após a posse, o movimento costuma se inverter, já que o jogo volta a ter regras mais claras.

Nesse horizonte, o investidor deve entender que, em 12 meses, o efeito eleitoral se dilui. Passam a pesar mais juros, inflação, crescimento global e política fiscal.

Segundo Fiorelli, o prazo dos investimentos também faz diferença nas escolhas. Quem pode precisar do dinheiro em breve tende a buscar aplicações com resgate mais fácil e menor variação de preço. Já quem investe no longo prazo consegue atravessar o período eleitoral com menos mudanças na carteira e mais atenção ao cenário que se forma após a eleição.

Para o economista Mauro Rochlin, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas), boa parte da sensibilidade dos mercados em anos eleitorais está ligada ao risco de deterioração das contas públicas. Promessas de campanha que ampliam gastos ou reduzem receitas podem elevar a percepção de risco fiscal, o que costuma pressionar dólar e taxas de juros.

Nesse ambiente, Rochlin afirma que montar ou reformular a carteira às pressas pode ser uma estratégia arriscada.

Segundo ele, para atravessar momentos de maior incerteza, investidores mais conservadores tendem a buscar posições mais defensivas, como aplicações pós-fixadas atreladas à inflação ou ao CDI, ações de empresas exportadoras e investimentos no exterior. A escolha, no entanto, depende do perfil de risco de cada um.

Com relação aos investidores estrangeiros, Rochlin afirma que o cenário fiscal é, mais uma vez, o principal fator de atenção. Ele lembra, por exemplo, que em dezembro de 2024 o dólar ultrapassou R$ 6 pela primeira vez, após o governo Lula anunciar um pacote de corte de gastos que incluía a isenção de Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 por mês.

As dúvidas sobre o custo da medida, somadas à incerteza no cenário internacional, pressionaram o câmbio. Assim, propostas com impacto direto sobre as contas públicas tendem a ser as que mais movimentam o mercado ao longo do ano eleitoral.

ERROS MAIS COMUNS

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, aponta que outro erro comum de investidores é mudar a carteira de forma brusca conforme o cenário político se altera. Em vez de apostar em um único resultado eleitoral, ele recomenda manter uma composição diversificada de ativos.

“Além de mudanças bruscas, a gente vê clientes colocando o desejo político na frente do direcionamento das suas carteiras. Ele torce por um dos candidatos, imagina que isso vai acontecer e acaba enviesando muito sua carteira, o que faz com que ele sofra um pouco conforme a eleição se aproxima”, diz.

Para Cruz, o momento também mantém as oportunidades na renda fixa. Com a taxa de juros ainda em patamar elevado, a classe segue atrativa, mas com uma diferença em relação aos últimos dois anos: a tendência é de aumento nas recomendações em prefixados, mas com prazos bem determinados.

O especialista diz que títulos com vencimento além de 2028 trazem um risco, pois dependendo de quem assumir o governo e das mudanças na política econômica, o investidor pode ficar travado em condições desfavoráveis, como ocorreu com quem apostou em prefixados longos nos últimos anos e foi surpreendido pela alta dos juros ao maior patamar dos últimos vinte anos.

Autor Original

You may also like

Leave a Comment