A Coreia do Norte oficializou nesta terça-feira (10) seu apoio à nova liderança do Irã, Mojtaba Khamenei, e reafirmou a soberania do país frente a guerra iniciada pelo ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel.
“Em relação ao recente anúncio oficial de que a Assembleia de Especialistas do Irã elegeu o novo líder da Revolução Islâmica, respeitamos os direitos e a escolha do povo iraniano de eleger seu líder supremo”, teria dito um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Pyongyang, segundo a agência estatal KCNA.
O regime de Kim Jong-un também acusou os EUA e seus aliados de “intervenção indisfarçável” nos assuntos internos iranianos, classificando as críticas ao processo eleitoral como uma tentativa de desestabilização regional.
A ascensão do novo líder iraniano, cujo nome surge após processo de seleção pela Assembleia de Especialistas, ocorre após a morte de seu pai, Ali Khamenei, durante o ataque americano e israelense no final de fevereiro.
“Expressamos séria preocupação e denunciamos veementemente os atos de agressão dos EUA e de Israel, que estão destruindo as bases da paz e da segurança regionais e escalando a instabilidade mundial ao montar ataques militares ilegais contra o Irã”, teria afirmado a jornalistas o porta-voz norte-coreano.
O falecimento de Ali Khamenei levantou questionamentos em Washington e Tel Aviv sobre a estabilidade do regime teocrático, com o presidente americano, Donald Trump, afirmando que Mojtaba não duraria muito sem o aval de Washington.
“Se ele não tiver nossa aprovação, não vai durar muito”, disse Trump em entrevista à ABC News.
Para a ditadura norte-coreana, o reconhecimento célere da nova liderança iraniana é uma forma de afirmação de soberania, uma vez que o país, assim como o Irã, enfrenta pressão dos americanos pela desnuclearização.
Em ocasiões anteriores, o ditador já havia dito, segundo a KCNA, que o assunto estava fora da mesa de negociação.
Teerã e Pyongyang têm laços próximos não apenas pela retórica antiamericana, mas também por uma cooperação prática que, segundo relatórios da ONU e análises especializadas, incluiu intercâmbio e assistência ligados à tecnologia de mísseis.