Home » De volta ao país, PiL resgata hit que não toca desde 1989 – 07/04/2026 – Ilustrada

De volta ao país, PiL resgata hit que não toca desde 1989 – 07/04/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

Divertido, teatral, com ternos berrantes e meia dúzia de hits na manga. Assim é um show da banda Public Image Ltd, criada em 1978 por John Lydon. A PiL, como é chamada, nasceu apenas cinco meses depois que o grupo mais importante do punk britânico, o Sex Pistols, desbandou.

Assisti a dois shows deles —em 1987, no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, e em 2023, em uma pequena casa de shows em Madri, na Espanha. Nesta quarta (8), eles se apresentam no Cine Joia, em São Paulo.

Nessa última, há dois anos e meio, pela “End of the World Tour”, a PiL apresentou um show com 16 músicas. A imagem mais marcante que ficou de Madri é o terno azul e rosa que Lydon usava quando subiu ao palco. Logo tirou o paletó, mas não a gravata, e revelou uma espécie de camiseta vermelha em cima da camisa.

Assim, fazendo caras e bocas, agindo como se fosse um velho louco, o vocalista comandou suas melhores músicas, como “This Is Not a Love Song”, “Public Image” e “Rise”. Atrás dele, um guitarrista —Lu Edmonds, ex-The Damned— e um baterista —Bruce Smith— que estavam na banda desde 1986. Para os novos shows, apenas o guitarrista é o mesmo.

A nova turnê, chamada “This Is Not the Last Tour”, iniciada há quase um ano na Europa e que chega agora ao Brasil, vai mostrar 14 músicas, com nove repetidas dos concertos de 2023. O show atual dura 20 minutos a menos, com média de uma hora e 33 minutos.

Apesar disso, pode ser melhor, já que Lydon resgatou a canção “World Destruction”, que não tocava desde 1989. Lançada em 1984, a música é um pioneiro rap-rock assinado por uma colaboração entre Lydon e Afrika Bambaataa, padrinho do hip-hop. Dois anos depois, o Run DMC e o Aerosmith alcançariam maior sucesso comercial com a mesma mistura de gêneros na regravação de “Walk This Way”.

“World Destruction” foi lançada no Brasil em single e tocada pelas rádios, especialmente em 1987, quando o PiL aterrissou no país para os shows de 1987 em São Paulo e no Rio de Janeiro. Minha única lembrança desse show foi o medo de ser barrado na entrada, pois eu ainda tinha 16 anos e o evento era, eu acho, para maiores de idade.

Na edição deste jornal de 19 de agosto de 1987, Marcos Smirkoff resumia —”o que o Pil mostrou no Anhembi permanece coerente com a evolução do grupo ao longo de seus nove anos de existência: diversidade de estilos sob a metodologia do caos”.

Num jornal carioca, o repórter Tom Leão anotou: “[os músicos do PIL] participaram de uma das piors coletivas que presenciei nos últimos anos, onde Lydon foi chamado até de besta humana por um de seus inquisidores”.

Menos de uma semana depois do PiL, o Big Audio Dynamite, do ex-The Clash Mick Jones, se apresentaria no mesmo palco. Um ano antes, Siouxsie and the Banshees havia estado na cidade, na esteira do sucesso de “Cities in Dust”, do álbum “Tinderbox”.

E dois meses após Siouxsie, os Ramones viriam ao antigo Palace. Foram tempos incríveis para um jovem punk.

Autor Original

You may also like

Leave a Comment