Home » Digimais, banco de Edir Macedo, acerta compra pelo BTG – 08/04/2026 – Economia

Digimais, banco de Edir Macedo, acerta compra pelo BTG – 08/04/2026 – Economia

by Silas Câmara

O BTG Pactual fechou com o Digimais, banco do bispo Edir Macedo, um acordo de intenção de compra, segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto. O Digimais enfrenta anos de deterioração financeira, passou por alguns reinvestimentos pelo controlador, além de tentativas de venda.

O acordo ainda é incipiente, segundo uma fonte com conhecimento do tema ouvida pela Folha, e uma série de tratativas ainda deve ocorrer nos próximos meses.

Procurados, Digimais e BTG disseram que não comentariam.

A Folha apurou que a conclusão do negócio ainda depende de uma série de tratativas, passando inclusive por um acerto com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para financiar a transação. Outras instituições financeiras interessadas no Digimais também poderão entrar em uma eventual disputa pelo banco de Edir Macedo com patrocínio do fundo. Na prática, outros proponentes poderão fazer uma oferta de compra do banco.

Nos bastidores, a venda tem sido vista com bons olhos por ser uma forma de evitar uma eventual liquidação do Digimais, cujos depósitos teriam que ser integralmente cobertos pelo FGC. Com a alienação para outro banco, a tendência é que as perdas do fundo sejam menores, mesmo que o FGC tenha que cobrir parte do passivo.

Antigo Banco Renner, ligado à família que fundou a varejista de roupas, o controle do banco foi adquirido em 2020 por Edir Macedo, também dono da Record TV e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.

Com a aquisição, o nome mudou para Digimais, a sede foi transferida do Rio Grande do Sul para São Paulo e Macedo colocou o bispo João Luiz Urbaneja para comandar a instituição.

Até então, o foco era o financiamento de veículos no estado gaúcho, mas a nova direção começou a diversificar a receita, comprando carteiras de crédito e títulos e valores mobiliários. Segundo o balanço de junho de 2025, o banco tinha R$ 3,89 bilhões em ativos mobiliários, a maioria de fundos de investimento em direitos creditórios e imobiliários.

Mais recentemente, o banco também passou a originar crédito consignado, com contratos com a Prefeitura de São Paulo. Porém, a carteira de crédito de R$ 1,92 bilhão ainda é em sua maioria de financiamento de veículos (R$ 1,36 bilhão), seguida de consignado (R$ 580 milhões).

Sem um controle rigoroso das carteiras de financiamento e gestão ativa dos ativos mobiliários, o resultado financeiro do banco se deteriorou, e o controlador teve que colocar dinheiro no Digimais para cumprir regras do Banco Central. Segundo dados de setembro de 2025, o prejuízo líquido foi de R$ 252,6 milhões no terceiro trimestre do ano passado.

O estresse financeiro se refletiu na alta rentabilidade dos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) do Digimais, que chegaram a 130% do CDI, acima da média do mercado, levantando alertas.

“Esse tipo de captação torna o custo de financiamento muito elevado e, no longo prazo, pode tornar a estrutura financeira praticamente insustentável, já que o banco precisa assumir riscos cada vez maiores na carteira de crédito para compensar esse custo de captação”, diz o economista Tiago Velloso.

Com o negócio gerando prejuízo, o bispo decidiu colocar a instituição à venda. Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, chegou a anunciar a aquisição em janeiro de 2025, em troca de uma injeção de R$ 800 milhões no Digimais, mas o negócio foi cancelado dois meses depois, com o avanço das investigações sobre Quadrado.

“Em situações semelhantes, eventuais soluções de mercado costumam envolver processos de reestruturação, incluindo a segregação de ativos e passivos ou a busca por investidores dispostos a aportar capital”, diz Marcos Bassani, analista de investimentos e sócio da Boa Brasil Capital.

Para facilitar a venda, Macedo deu a administração do banco para um executivo com mais experiência no setor. Desde o fim de 2025, a instituição é comandada por Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, que tem a missão de deixar a casa em ordem e vendê-la. Já o bispo Urbaneja ficou no comando do conselho de administração.

Além dos problemas financeiros, a instituição também enfrenta uma batalha judicial envolvendo ativos gerados pelo Master. No início de 2025, o banco vendeu uma carteira de crédito para o fundo EXP1, gerido pela Yards Capital. Porém, segundo a gestora, parte dos ativos vendidos não existe e o banco deveria devolver o valor pago correspondente.

No processo, o Digimais diz que os créditos existem, mas o repasse dos pagamentos desses empréstimos estaria paralisado dada a situação do Master, em liquidação extrajudicial e investigações, que foi a instituição que originou esses créditos inicialmente.

Procurado, o fundo rebate essa argumentação e afirma que o contrato atribuiu ao Digimais “obrigações diretas e intransferíveis, incluindo a garantia de lastro dos créditos, a entrega da documentação comprobatória, o repasse tempestivo de todos os valores recebidos e a vedação expressa de qualquer interferência no fluxo de pagamentos.”


RAIO-X | Digimais no 3º tri de 2025

Prejuízo líquido: R$ 252,6 milhões

Agências: 3

Clientes: 199.026

Fundação: 1981

Concorrentes: Santander, Bradesco, Itaú, Banco do Brasil

Autor Original

You may also like

Leave a Comment