O dólar abriu em leve alta nesta quinta-feira (19) com os investidores preocupados com a disparada do preço do petróleo, que chegou a subir quase 11% e superou os US$ 119, maior valor desde 9 de março.
A subida do contrato do barril Brent, referência mundial, foi uma consequência da nova onda de ataques de Israel e EUA ao Irã, que respondeu com bombardeios a instalações de energia em vários países do Oriente Médio.
Além disso, os analistas avaliam as decisões sobre juros nos EUA e no Brasil. O Fed (Federal Reserve) manteve a taxa entre 3,5% e 3,75%, enquanto o Copom reduziu a Selic para 14,75%, mas com um corte menor do que era esperado antes da guerra começar.
Às 9h16, a moeda norte-americana subia 0,23%, cotada a R$ 5,2554. Na quarta-feira (18), o dólar fechou em alta de 0,72%, cotado a R$ 5,243, e a Bolsa caiu 0,42%, a 179.639 ponto.
A decisão de juros do Fed foi o principal impulso para as negociações. O comitê norte-americano optou por manter a taxa de juros inalterada na faixa de 3,5% e 3,75%, como amplamente esperado pelos mercados. No comunicado que acompanhou a definição, o Fed citou que os desdobramentos do conflito no Oriente Médio na economia dos Estados Unidos são “incertos”.
Ele afirmou que não haverá cortes na taxa de juros se não houver progresso na inflação, indicando que, embora tenha havido avanço no processo desinflacionário, ele não se encontra no “ritmo desejado”. A declaração foi vista como “hawkish” pelos operadores —agressiva na política de juros, no jargão—, o que minou a atratividade de ativos de risco.
Sem um ponto de parada claro para a campanha dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, os impactos do conflito na economia norte-americana são difíceis de estimar. A guerra já elevou o preço do petróleo ao maior patamar em quatro anos e catapultou o preço médio da gasolina e do diesel, que subiram mais de 25% na comparação com o valor antes do conflito.
As consequências também poderão ser sentidas nos preços de fertilizantes e, por consequência, nos de alimentos. Se persistirem por mais tempo, os efeitos deverão chegar até a inflação total, afetando a estratégia de juros do Fed.
O impacto do choque geopolítico ainda não aparece plenamente nos indicadores de inflação, diz Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, já que a escalada do conflito começou no início de março.
“No entanto, indicadores de alta frequência já sinalizam essa pressão, especialmente nos preços dos combustíveis. Esse movimento representa um desafio adicional para a condução da política monetária. Após um período em que os bancos centrais observavam sinais mais consistentes de desaceleração inflacionária, a alta recente dos preços de energia pode tornar o processo de desinflação mais lento e incerto”, afirma ele.
Na entrevista coletiva, Powell disse que é “cedo demais” para saber o efeito completo do conflito na economia, mas é de se esperar que o choque no petróleo apareça nos núcleos de inflação. E, sem progresso nos indicadores inflacionários, não haverá cortes nos juros.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destaca a guinada na comunicação do Fed. Após passar um longo período focado na desaceleração do mercado de trabalho, o banco central agora começa a “colocar a dinâmica da inflação novamente no centro da função de reação”.
“A mensagem de Powell reforça que, apesar de algum progresso, o processo desinflacionário ainda é insuficiente, o que indica um Fed menos disposto a antecipar cortes de juros e mais dependente de evidências de desaceleração dos preços.”
As apostas agora são de apenas um corte nos juros até o fim do ano.
No Brasil, por outro lado, o cenário ainda estava em aberto durante o período de negociações.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos tem sido apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses. A guerra, porém, tem sido um fator de alta para a moeda norte-americana.