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Eletrônica no Lolla tem boa seleção, mas falta latinos – 21/03/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

Festival gigante nenhum sobrevive hoje sem se atentar para a música eletrônica. E depois de um 2025 esquecível, salvo lampejos, o Lollapalooza voltou os ouvidos com cuidado ao som das pistas. O line-up de DJs esse ano foi, em maior parte, um acerto, apesar de questões de horário e gêneros musicais.

A maior parte dos artistas dessa categoria se concentrou no palco Perry, logo na entrada do festival. A principal exceção foi o americano Skrillex, um dos maiores DJs da atualidade, que tocou no segundo palco mais importante do festival.

No palco de pista, a DJ horsegiirL foi um dos destaques. Com sua mistura de trance moderno, pós hyperpop e música acelerada feita para sorrir (“happy hardcore”), a alemã brindou o público entre remixes e faixas autorais que canta sob sua máscara de cavalo.

Outro ponto alto veio na sequência de artistas de domingo. Além de trazer o celebrado DJ japonês Yousuke Yukimatsu, o festival conseguiu reunir novos nomes brasileiros que vem renovando a música eletrônica nacional, caso de Entropia e Idlibra, ambos de Pernambuco, e de Alírio, uma das mentes por trás do interessante selo Tandera Rec.

A ausência de nomes clássicos do techno e do house e a falta de representantes de gêneros importantes na música eletrônica brasileira, tais como drum’n’bass e psytrance, se justificam pela vinda de artistas de peso das pistas atualmente —com cachês altos.

É o caso da coreana Peggy Gou, que faz um feijão com arroz sem chance para o erro, e do Brutalismus 3000, duo que reinventa a ala mais pesada da música eletrônica entre sonoridades do gabber e do hard techno.

Essas presenças não ofuscam, no entanto, outra importante ausência. Não há nenhum artista latino-americano no line-up eletrônico do festival. O fato é ainda mais sensível considerando que o Lollapalooza tem edições na Argentina e no Chile, países onde nomes como o trio de tribal mexicano 3BallMTY passou com o festival.

Em vez disso, o Lollapalooza decidiu trazer o DJ Diesel, nome artístico do ex-jogador de basquete Shaquille O’Neal. Melhor atleta do que DJ, Shaq apresentou um set típico de pistas de EDM americana, e por isso conquistou parte do público.

O funk segue sendo entendido mundo afora como música eletrônica de pista, como deve ser. É o que mostram DJs como os próprios Diesel e horsegiirL, que trouxeram versões do baile para a pista.

O principal nome do gênero no Lollapalooza foi Marcelin, prodígio carioca das MPCs, e Mu540, nome forte do funk de São Paulo, capaz de navegar entre festas de rua da cidade e requisitados clubes europeus sem muito problema.

Este último teve como principal rival o horário, pois tocou ao mesmo tempo que Skrillex —outro nome que há muito conversa com funk. Embora é certo que a organização de palcos em grandes festivais dependa de vários fatores, tais como agenda dos próprios artistas, teria sido melhor optar por DJs cujo som não dialogassem entre si.



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