A Axon, fornecedora de câmeras corporais para a Polícia Militar de São Paulo e de outros cinco estados brasileiros, mira profissionais da saúde como público potencial em expansão para o setor privado. Segundo a companhia, os dispositivos podem ajudar a inibir e verificar violências contra esses funcionários durante o atendimento ao público.
Para atingir esse mercado e outros do setor privado —como varejo, bancos, logística, data centers—, a companhia lançou um modelo de câmera corporal menor e mais leve do que as usadas pelas polícias. O aparelho registra imagens do ponto de vista do profissional e serve para solicitar suporte imediato caso ele se sinta ameaçado.
No Brasil, em média, 12 médicos foram vítimas de algum tipo de violência por dia em estabelecimentos de saúde, segundo levantamento do CFM (Conselho Federal de Medicina) de 2025. Isso significa que a cada duas horas um médico passou por uma situação de ameaça, injúria, desacato, lesão corporal, entre outros crimes.
O produto está em fase de implantação nos Estados Unidos e no Canadá, com lançamento previsto no Brasil para o segundo semestre. Até o momento, a Axon atende apenas forças públicas no país, o que limita as aplicações dos dispostivos.
Sobre a privacidade das consultas e diagnósticos, a empresa afirma que as câmeras são controladas pelos próprios colaboradores, ou seja, os profissionais de saúde decidem quando ativar a gravação, de acordo com as políticas do hospital. As organizações que utilizam câmeras devem garantir que as imagens que contenham informações de saúde protegidas sejam armazenadas, acessadas e compartilhadas em conformidade com padrões internacionais.
Além das câmeras menores, a americana procura clientes nacionais para seus sistemas antidrones —grandes eventos, áreas de aeroportos, hotéis e outros locais onde pode haver ameaça à privacidade dos ocupantes são mercados potenciais.
A firma é responsável pela marca Taser, arma de eletrochoque que incapacita temporariamente um alvo através da paralisação neuromuscular, que foi por muito tempo o negócio central dela. Hoje, a venda de câmeras corporais e de sistemas de monitoramento delas são outros pilares de faturamento —são cerca de 10 mil polícias ao redor do mundo utilizando o material da empresa.
O momento da Axon é de procura de mercado na iniciativa privada, como alternativa à expansão exclusiva no setor de segurança pública, e em tecnologia. Para 2026, espera um crescimento de até 30% no lucro líquido e 25,5% na margem do EBITDA ajustado —40% desse aumento deve ser impulsionado pela venda de softwares e serviços.
O tensionamento das relações geopolíticas, no entanto, pode ser um desafio para as metas —ainda que a empresa defenda o uso de seus produtos em fronteiras e outros limites. Em momentos de conflito internacional, os gastos tendem a se voltar para a segurança nacional em vez da segurança pública. Por isso, a esfera privada é uma saída interessante. As ações da companhia, listadas na Nasdaq, caíram 17% no último mês.
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