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Empresa demite 4.000 por causa da IA e ações disparam – 01/03/2026 – Ronaldo Lemos

by Silas Câmara

Os acontecimentos da semana passada deram uma amostra do tamanho da ansiedade dos mercados com relação ao avanço da inteligência artificial. Na quinta-feira (26), a empresa de pagamentos Block demitiu 4.000 pessoas, 40% da sua força de trabalho. Motivo anunciado: inteligência artificial. As ações dispararam 20%. Para entender como isso aconteceu, é preciso voltar alguns dias.

No dia 22 de fevereiro, uma empresa de pesquisa econômica praticamente desconhecida, chamada Citrini, publicou um artigo sobre o impacto econômico da IA de hoje até 2028.

Na segunda (23), vários dos setores analisados no texto desabaram. A IBM caiu 13% com o temor de que parte dos seus serviços possa ser feita por IA. Perdeu US$ 31 bilhões, sua pior queda diária desde 2000. Empresas de software corporativo e serviços também desabaram, como a gigante SAP e empresas indianas, seguidas pela Accenture. Os setores de delivery, transporte por aplicativo e finanças também foram afetados.

Desde janeiro, o pano de fundo por trás do texto já tinha começado a se desenrolar. Empresas de inteligência artificial estão ingressando no mercado corporativo. Tarefas complexas que antes exigiam times organizados e bem-informados agora começam a ser realizadas por IA.

O relatório da Citrini aponta que a IA está se tornando eficiente no manejo de habilidades corporativas tradicionais: gestão de projetos, organização de relatórios, planilhas, rotinas, análises jurídicas, contábeis, apresentações, design e, sobretudo, programação.

Em 2028, boa parte do trabalho será feito usando agentes de IA. Da mesma forma, software complexo poderá ser feito com comandos claros dados para uma IA em português (ou qualquer outra língua).

A Citrini criou a partir disso o conceito de “PIB fantasma”. A produção econômica cresce, mas o dinheiro não circula mais pelas famílias, porque muitos dos empregos serão eliminados. A participação do trabalho no PIB em 2028 cairia dos atuais 56% para 46%. O dinheiro que circulava como salário ficaria retido na empresa como lucro, descontado o gasto com IA.

Quatro dias depois do relatório, a empresa Block (que opera a Square), fundada por Jack Dorsey, o criador original do Twitter, decidiu fazer exatamente o movimento que o artigo descreveu. Na quinta, ele anunciou publicamente que estava demitindo 40% dos funcionários (4.000 pessoas) de uma vez. No anúncio, ele diz aos acionistas que “ferramentas de inteligência artificial mudaram o que significa construir e administrar uma empresa hoje”.

O mercado premiou a empresa, com suas ações subindo 20% na sequência. Isso mostra que a análise da Citrini vai além da mera especulação. Se esse padrão se consolidar, é possível que o movimento se repita. Estamos entrando em um território de ainda mais incerteza. A era da ansiedade está entre nós.

READER

Já era – impacto da IA no mundo corporativo ainda como possibilidade remota

Já é – automatização de tarefas corporativas com uso da IA

Já vem – PIB Fantasma?


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