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Empresa tem que formar mão de obra, não reclamar, diz CEO – 21/02/2026 – Painel S.A.

by Silas Câmara

A escassez de mão de obra qualificada em um momento de aquecimento do mercado de trabalho brasileiro está entre as preocupações do empresariado. Para João Carlos Chachamovitz, CEO e cofundador da empresa brasileira de tecnologia Radix, o caminho para contornar o problema é investir em capacitação interna.

A companhia, que implementa a digitalização de empresas por meio da inteligência artificial, tem quase metade dos clientes no exterior, mas a mão de obra brasileira é praticamente a totalidade do quadro de funcionários.

Para o executivo, é mais importante encontrar habilidades comportamentais nos colaboradores do que formação técnica, que pode ser treinada —mesmo em tempos de expansão da IA.

Como solucionar a falta de mão de obra qualificada no mercado?

Houve um aquecimento importante na área da tecnologia recentemente, por isso precisamos capacitar e treinar os profissionais. As empresas, sobretudo na tecnologia, querem receber uma pessoa pronta, já com toda a qualificação necessária para assumir um determinado posto. No entanto, quando estamos em momentos como este, no qual as carreiras estão se transformando, as empresas têm que assumir o papel formador. Precisam contribuir para a população em vez de ficar esperando e reclamando que não tem mão de obra qualificada.

Se as empresas têm o papel de formar, quais habilidades são importantes neste momento?

As habilidades comportamentais fazem a maior diferença. O profissional de hoje é aquele que precisa ter base técnica, mas também interesse no aprendizado contínuo, pensamento crítico, comunicação e que saiba trabalhar em colaboração. Quando falamos em IA, por exemplo, o profissional tem que ser muito mais do que um técnico. Precisa saber conversar e montar o script.

Na Radix, nós damos até curso de filosofia: a pessoa tem que pensar fora da caixa. Ninguém sabe o que vai acontecer daqui a dois ou três anos. Quando falamos em desenvolvimento de software, é provável que boa parte passe a ser feito por IA. Os profissionais terão que se transformar para ter novos desafios.

A Radix não tem necessidade de contratar profissionais prontos?

Às vezes temos que trazer do mercado. Só que não é fácil. É difícil encontrar um profissional que combine experiência e perfil. Nosso trabalho exige um profissional que tenha formação técnica muito sólida, mas que também tenha um perfil empreendedor.

Grande parte dos clientes da Radix está fora do Brasil. Os profissionais contratados são do exterior?Não. Hoje estamos em 40 países e cerca de 40% do nosso negócio é fora do Brasil. Mas a maioria dos funcionários fica aqui.

Como concorrer com empresas de tecnologia da Europa e dos Estados Unidos com mão de obra brasileira?

O perfil do profissional brasileiro é interessante. Ele é multidisciplinar, topa trabalhar em várias áreas e não é especialista em uma única coisa. Em alguns tipos de projetos, o encaixe é muito bom. Somos excelentes em montar equipes nas quais misturamos brasileiros e americanos e criamos uma cultura de colaboração de pessoas com características diferentes.

E quando vamos para os Estados Unidos, não levamos somente as pessoas, mas também a nossa estrutura, pesquisa e desenvolvimento. Não queremos ir para lá ser somente a mão de obra mais barata. Queremos ser contratados porque a nossa tecnologia é de ponta. Temos equipes e soluções para isso.

O que muda na indústria na era de novas tecnologias?

O profissional do futuro precisa ser protagonista do desenvolvimento dele. Não adianta mais esperar as coisas acontecerem. As habilidades mais procuradas são a capacidade de aprender, se adaptar e aplicar conhecimentos em novos contextos. Não adianta eu chegar na empresa dizendo que ela tem que usar um determinado software —preciso mostrar o papel daquilo. Muitos projetos com IA e transformação digital fracassam por não se preocupar em mostrar o valor deles.


João Carlos Chachamovitz, 60

1966, Rio de Janeiro


Engenheiro químico formado pelo Instituto Militar de Engenharia, possui MBA Executivo pela Babson College e mestrado em Engenharia Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Passou por outras empresas onde acumulou experiência em engenharia, tecnologia e desenvolvimento de negócios.


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