No último ano do seu 3º mandato, o presidente Lula decidiu fazer uma cruzada contra o endividamento recorde das famílias brasileiras porque recebeu o diagnóstico de que as conquistas mais importantes do seu governo na área econômica, como a inflação em queda, o crescimento econômico e a queda recorde no desemprego, não estão sendo sentidas pela população.
A razão é o mal-estar causado pelo peso das dívidas no orçamento familiar. A queda de popularidade do presidente seria resultado da equação perversa do endividamento elevado com o escândalo do Master.
Lula resolveu até chamar o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para uma reunião sobre os juros altos, na semana seguinte à decisão do Copom de diminuir a dosagem da queda da taxa Selic devido às incertezas com a guerra no Irã.
Foi uma reunião de pressão em alta. Um constrangimento para Galípolo numa sala em que dez entre dez dos presentes culpam os juros altos pelo endividamento das famílias e querem que o BC reduza os juros em doses maiores para enfrentar os efeitos negativos da guerra no PIB.
O risco eleitoral agora é a prova de que o Desenrola, programa de renegociação de dívidas, prioridade máxima do início do governo, falhou, como também a tentativa de turbinar o crédito a todo custo.
O Brasil segue com os mesmos problemas de quatro anos atrás. De um lado, o choque no petróleo, cuja única saída que aparece é fazer algum tipo de programa de redução de imposto, subvenção ou coisa parecida.
Do outro lado, o endividamento turbinado por taxas elevadíssimas do cartão de crédito, que não são muito diferentes daquelas praticadas quando a Selic estava em 2%.
Foi nesse período que mais cresceu o endividamento, o que reforça a tese de que há uma baixa correlação entre a Selic e as taxas pagas pelas pessoas físicas.
A economia está sofrendo um esgotamento do modelo de crescimento e, ao invés de mudar e atacar a raiz do problema, o país tenta dobrar a aposta esticando um pouco mais a corda.
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