O ataque de Israel ao campo de gás de de Pars Sul, no Irã, foi previamente coordenado com o governo americano, disseram ao jornal The New York Times três autoridades do Estado judeu —versão que contraria a afirmação inicial do presidente Donald Trump sobre a ofensiva.
Na noite desta quarta-feira (18), o republicano escreveu na sua plataforma, a Truth Social, que “os Estados Unidos não sabiam de nada sobre este ataque”, realizado horas antes. “Israel não vai realizar novos ataques a esse extremamente importante e valioso campo de Pars Sul”, continuou.
Em seguida, porém, Trump pareceu mudar de ideia. “Eu disse a ele para não fazer isso”, afirmou o presidente americano a jornalistas nesta quinta (19), insinuando que havia conversado sobre o bombardeio com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, com antecedência. “Somos independentes. Nos damos muito bem. Foi tudo coordenado”.
Tel Aviv não se pronunciou publicamente sobre o assunto nem sobre a tentativa de Trump de distanciar os EUA do ataque, que fez os preços do petróleo dispararem em um contexto que já era de extrema incerteza e volatilidade de preços. No entanto, o país insiste que está alinhado a Washington em todos os alvos da guerra.
Três autoridades israelenses informadas sobre a ofensiva disseram nesta quinta que os EUA foram avisados com antecedência. Eles falaram sob condição de anonimato devido à delicadeza da diplomacia envolvida.
O campo de gás de de Pars Sul é compartilhado entre o Qatar e o Irã. Horas após o ataque, instalações de gás natural da monarquia foram atingidas por bombardeios, atribuídos por Doha à nação persa. Em sua publicação nas redes sociais, Trump afirmou que o Qatar, um aliado dos EUA, “não esteve de forma alguma envolvido com isso” nem “tinha ideia de que isso fosse acontecer”.
As ofensivas foram as mais recentes de uma série de ataques à infraestrutura energética, que fizeram os preços globais do petróleo e do gás dispararem nas últimas semanas. de Pars Sul faz parte do maior campo de gás do mundo, e o Qatar é o terceiro maior exportador mundial de gás natural liquefeito.
A guerra começou em 28 de fevereiro, quando Israel e EUA atacaram conjuntamente o Irã.
Analistas israelenses dizem que, com a ação, Tel Aviv tenha tido a intenção de pressionar o Irã a liberar o Estreito de Hormuz, uma importante rota de trânsito para o petróleo mundial. Como Teerã utiliza a maior parte de seu gás natural internamente, o ataque pode ter tido como objetivo sinalizar ao regime que Israel poderia fazer muito mais para incapacitar o adversário.
“O ataque tentou enviar um sinal amplo a quem quer que esteja no comando no Irã —e isso não está muito claro— de que Israel pode paralisar toda a rede elétrica do país”, disse Ehud Yaari, pesquisador do Instituto de Washington para Política do Oriente Próximo, com sede em Israel.
“Se você interrompe o fornecimento de eletricidade”, disse ele, “você paralisa o país de muitas maneiras”.
Yaari acrescentou que a coordenação entre os EUA e Israel foi tão estreita e coordenada ao longo desta guerra que era implausível que Tel Aviv realizasse tal ataque sem que Washington fosse informado previamente.
Embora tenha dito que o local não seria atingido novamente por Israel, Trump acrescentou que, se o Irã bombardeasse novamente as instalações de gás natural do Qatar, os EUA “destruiriam em massa” todo o campo de gás, “com ou sem a ajuda ou consentimento de Israel”.
Teerã, por sua vez, prometeu retaliação, afirmando que atacaria alvos de petróleo e gás em todo o Golfo Pérsico.
Na quinta, um porta-voz militar iraniano, Ebrahim Zolfaghari, disse que o Irã havia atacado instalações de energia “consideradas parte dos interesses dos EUA”.
Em um comunicado divulgado pela mídia estatal, ele alertou que, se os locais de energia do Irã fossem alvejados novamente, os ataques retaliatórios continuariam até a “destruição completa” da infraestrutura energética dos EUA e seus aliados na região. Ele não se referiu especificamente a de Pars Sul.