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EUA tentam reverter projetos de energia eólica offshore – 28/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

O governo Trump está tentando interromper os projetos de energia eólica offshore restantes nos Estados Unidos, oferecendo indenizações às empresas que os estão desenvolvendo em troca de investimentos em combustíveis fósseis.

O DOI (Departamento do Interior dos Estados Unidos) manteve conversas com várias empresas detentoras de concessões para parques eólicos offshore, a fim de convencê-las a firmar acordos como o obtido com a TotalEnergies na segunda-feira (23), disseram pessoas familiarizadas com o assunto.

Nos termos desse acordo, a petrolífera francesa será reembolsada pelos quase US$ 1 bilhão que investiu no seu contrato de arrendamento de energia eólica offshore e poderá investir os recursos em projetos de óleo e gás.

As discussões marcam uma nova fase na batalha do governo dos EUA contra a energia eólica offshore, que o presidente Donald Trump descreveu como a “pior… e mais cara forma de energia”.

Os esforços para interromper projetos nos EUA tiveram resultados variados. A pressão do governo Trump desempenhou um papel importante na paralisação do projeto Beacon Wind, uma joint venture entre a BP e a Jera, uma empresa japonesa de energia, em outubro.

No entanto, uma série de ordens de “paralisação das obras” emitidas pelo governo contra projetos de energia eólica offshore liderados pela Ørsted, Dominion Energy e Equinor foram bloqueadas por decisões judiciais após ações movidas pelas empresas.

O governo Trump alegou que os projetos representavam uma ameaça à segurança nacional devido à interferência nos radares.

A estratégia do governo mudou, passando a incentivar as empresas a desistirem de seus contratos de arrendamento —alguns dos quais custam centenas de milhões de dólares— e, em vez disso, investirem esses recursos em projetos de combustíveis fósseis.

Existem 43 concessões ativas para energia eólica offshore na costa dos EUA. Cinco dessas concessões são detidas por projetos que estão em fase final de construção ou já estão gerando energia, como o Revolution Wind da Ørsted e o projeto Coastal Virginia Offshore Wind da Dominion Energy.

Entre os detentores de concessões para energia eólica offshore, encontra-se um consórcio formado pela empresa portuguesa EDP e pela francesa Engie, que detém uma concessão de 120 milhões de dólares na Califórnia.

A Invenergy, produtora independente de energia com sede em Chicago, possui quatro concessões nas costas leste e oeste dos EUA, incluindo um local perto de Nova York que, juntamente com a energyRe, adquiriu por US$ 645 milhões.

A empresa alemã de energia RWE pagou US$ 1,1 bilhão em 2022 por um arrendamento na costa de Nova York, com potencial para abrigar turbinas eólicas suficientes para abastecer 1,1 milhão de residências. A empresa também pagou US$ 4,3 milhões por um arrendamento no Golfo do México e US$ 157,7 milhões por um arrendamento na costa da Califórnia.

O caminho para um acordo é mais claro para algumas empresas do que para outras. Enquanto a Invenergy e a RWE já fizeram e planejam fazer investimentos significativos em gás nos EUA, a Engie e a EDP são empresas focadas em energias renováveis.

“O ideal seria que eles recebessem o pagamento e tivessem uma saída, se possível, mas, ao contrário da Total, não podem realizar essa transação com a promessa de investir em combustíveis fósseis”, disse uma pessoa familiarizada com o assunto. “A questão é se eles conseguirão encontrar um mecanismo que funcione.”

Alguns projetos de energia eólica offshore também estão próximos da conclusão. O diretor-executivo da Equinor, Anders Opedal, disse não ter certeza se alguma oferta do governo americano seria relevante para o projeto Empire Wind, acrescentando que ele já está mais de 60% concluído.

“Acho que o ponto de partida é bem diferente do que foi anunciado [esta semana]”, disse ele em entrevista ao Financial Times.

A Invenergy e a energyRe não responderam aos pedidos de comentários, enquanto a EDP se recusou a comentar.

Um porta-voz da Engie afirmou que a empresa está em “contato regular com as autoridades” a respeito de seus três projetos eólicos nos EUA, que estão paralisados.

Markus Krebber, diretor-executivo da RWE, não quis comentar se a empresa estava em negociações com Washington sobre o arrendamento. Mas afirmou que uma das lições aprendidas foi que entrar em conflito com qualquer governo sobre os fundamentos da política energética não é uma decisão sábia.

“Fomos forçados a abandonar a energia nuclear e recorremos aos tribunais, conseguindo uma grande indenização. Recebemos compensação para sair da exploração de carvão. E agora eles recebem compensação para sair da exploração de energia em alto-mar”, disse ele em entrevista ao Financial Times em Houston.

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