Brigas, acusações de traições e interesses eleitorais têm marcado a acirrada disputa política travada na Câmara dos Deputados pela vaga aberta no Tribunal de Contas da União (TCU) com a saída do ministro Aroldo Cedraz.
A votação, ainda sem data marcada, será secreta. Mas, pelo andar da carruagem, é possível inferir que essa é hoje uma das vagas mais cobiçadas em Brasília.
A peleja reflete a polarização política entre bolsonaristas e petistas das próximas eleições presidenciais e retrata também o empoderamento que o tribunal ganhou nos últimos anos.
O episódio do envolvimento do TCU no escândalo do caso Master, via articulação da defesa de Daniel Vorcaro para anular o veto do Banco Central à compra pelo BRB, dá uma pista das razões da cobiça.
Por pouco, a corte quase levou adiante a “desliquidação” do Master num dos momentos mais tensos em meio à articulação para abafar as investigações.
Pelo tribunal passam os julgamentos de contratos e atos de alto vulto e grande poder decisório em muitas frentes, como vereditos sobre contas públicas —além da possibilidade de influenciar a política, direta ou indiretamente, a exemplo do impeachment da presidente Dilma Rousseff há cerca de uma década.
Na disputa pela vaga, tem de tudo. Já são vários candidatos lançados e outros tantos cotados, além de acordo feito pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira para a eleição do atual, Hugo Motta, que apoia o candidato do PT, deputado Odair Cunha (MG).
O que falta nessa disputa é uma discussão séria sobre a capacidade técnica para o exercício do cargo e, acima de tudo, a necessidade de escolha de uma mulher. Como relatou a procuradora Élida Graziane, a presença feminina na composição do TCU é uma exceção estatisticamente ínfima: apenas 2 mulheres lá estiveram entre os seus 103 ministros desde a criação do TCU, em 1893.
Melhor será reconhecer que se trata de ausência deliberada que compromete a capacidade da corte de avaliar, com pluralidade e densidade qualitativa, as contas e as políticas públicas da União
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