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Fazenda projeta PIB de 2,3% em 2026 com isenção IR – 03/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda projetou nesta terça-feira (3) uma “aceleração acentuada” do PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre deste ano, em ritmo próximo a 1% em relação ao último trimestre de 2025, sob efeito, em especial, do aumento da renda disponível das famílias com a ampliação da isenção do Imposto de Renda a trabalhadores.

Em nota informativa, a SPE avaliou que esse movimento deve ser seguido de uma desaceleração gradual da atividade, com a dissipação do efeito de políticas públicas sendo parcialmente compensada por uma redução do custo de crédito, em meio à perspectiva de cortes de juros pelo Banco Central.

Para o ano fechado de 2026, a secretaria estima que o crescimento do PIB será de 2,3%, sem alterações em relação a projeção divulgada em fevereiro, mesmo ritmo de alta verificado em 2025, segundo dados do IBGE divulgados nesta terça-feira. No quarto trimestre, o PIB cresceu 0,1%.

Entrou em vigor em janeiro deste ano a nova regra do Imposto de Renda da pessoa física, com ampliação da faixa de isenção para quem recebe até R$ 5.000 mensais e cobrança menor para salários de até R$ 7.000, o que pode dar impulso ao consumo das famílias.

Na avaliação da SPE, o crescimento do PIB de 2026 na ótica da demanda terá maior contribuição do consumo doméstico e menor efeito do setor externo.

Do lado da oferta, a pasta espera uma desaceleração acentuada da agropecuária, compensada por um ritmo maior de crescimento da indústria e dos serviços.

Em relação ao resultado consolidado de 2025, a secretaria disse que a desaceleração foi mais pronunciada nos setores cíclicos da economia, com crescimento passando de 4,0% em 2024 para 1,5% no ano passado, o que indica que a política de juros contracionista exerceu impacto relevante sobre a atividade.

“Não fosse a contribuição da agropecuária e da indústria extrativa, pela ótica da oferta, e do setor externo, pela ótica da demanda, a economia teria apresentado desempenho ainda mais fraco nos últimos dois trimestres de 2025”, afirmou.

O BC tem mantido a taxa Selic em 15% ao ano, maior patamar em quase duas décadas, mas indicou que iniciará neste mês um ciclo de corte nos juros básicos.

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