Questionado sobre a situação do BRB (Banco de Brasília), o ministro Dario Durigan (Fazenda) disse que a eventual federalização do banco não tem o aval da pasta.
A alternativa foi levantada pelo mercado como uma possível solução à dificuldade financeira da instituição, após o rombo deixado por negócios com o banco Master. Nessa opção, o banco do Distrito Federal seria absorvido por um banco público federal, como o Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal.
“Isso [federalização do BRB] é um tema que, inclusive, não tem o ok do Ministério da Fazenda para avançar”, afirmou Durigan em entrevista à jornalista Míriam Leitão, na GloboNews, nesta quarta-feira (1º).
O real prejuízo do BRB com o Master ainda é desconhecido. O banco não divulgou o balanço de 2025 nesta terça-feira (31), prazo legal para companhias de capital aberto. Sem a apresentação dos dados, o tamanho do rombo deixado pelas operações feitas com o Master continua desconhecido. Segundo as investigações, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos fraudulentos da instituição de Daniel Vorcaro.
Após anunciar o adiamento da publicação do balanço, o presidente do BRB (Banco de Brasília), Nelson Antônio de Souza, disse à Folha que vai pedir um empréstimo no valor de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões a bancos.
A formalização deste pedido se soma à solicitação já feita ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos), no dia 24 de março, para um empréstimo de R$ 4 bilhões para capitalizar o BRB.
Outra alternativa para a instituição se recapitalizar é a venda de carteira de créditos. Segundo Durigan, o Tesouro Nacional já deu o aval para que as carteiras que tenham títulos do Tesouro como garantia sejam vendidas e, assim,a garantia seja repassada ao comprador.
“Vai sair do BRB, vai para um outro banco, e o Tesouro mantém o aval. Então, o outro banco tem total condição de assumir essa carteira do BRB”, exemplificou o ministro.
Segundo ele, Caixa e BB podem comprar esses ativos, bem como as instituições privadas.
“O que não vai ter é uma intervenção federal ou uma ajuda específica federal a uma questão do governo do DF. O governo do DF tem que conseguir lidar com a situação do BRB e, se eventualmente escalar para uma situação de risco sistêmico, o próprio Banco Central tem que conduzir uma conversa no governo federal”, afirmou Durigan.